BE/Açores acusa PS de transformar debate em "imensa sessão de propaganda"

BE/Açores acusa PS de transformar debate em "imensa sessão de propaganda"

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   16 de Mar de 2017, 18:21

O Bloco de Esquerda acusou o PS de transformar o debate das propostas de Plano e Orçamento dos Açores para 2017 no parlamento regional "numa imensa sessão de propaganda".

"Cedo se percebeu que o Partido Socialista (PS), para além da retórica, pretendia transformar o debate destes documentos numa imensa sessão de propaganda", afirmou Zuraida Soares, no encerramento do debate sobre o Plano e Orçamento regionais para 2017.

A parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) exemplificou com o anúncio de que os açorianos "têm, nos seus bolsos, mais 250 milhões de euros por ano por via do diferencial fiscal e dos diversos complementos a salários e prestações sociais do que teriam se vivessem no continente ou na Madeira" ou "o poder de compra é mais alto nos Açores do que em qualquer outra região do país", contrapondo com a "verdade".

"O diferencial fiscal e os complementos a salários e prestações sociais visam compensar os custos de insularidade. Ora, se o Governo [Regional] fizesse contas ao facto da inflação na região ser 1,0 a 1,5% mais alta do que no continente; se fizesse contas ao facto do salário médio, nos Açores, ser cerca de 100 euros mais baixo do que no continente; se fizesse contas aos enormes custos da mobilidade (...), certamente chegaria à conclusão de que a soma, só destes fatores, ultrapassa, em muito os 250 milhões de euros de que fala e talvez corasse de vergonha, com a propaganda que anda a difundir", sublinhou Zuraida Soares.

Quanto ao poder de compra ser nos Açores superior a qualquer região do país, a bloquista considerou que "aí está a velhinha história da galinha", pois "dividi-la por duas pessoas, não quer dizer que cada uma coma metade da dita", considerando que "começar um debate sobre o Plano e Orçamento com este tipo de demagogias e jogo de sombras até pode fazer boas manchetes de jornais, mas não é sério".

Na intervenção, na qual abordou o acordo do BE com o PS no Governo da República para enumerar as vantagens para a população, Zuraida Soares considerou que o debate dos documentos orçamentais revelou uma "nova atitude do executivo regional face ao Governo da República".

"É indiscutível que a República está em falta para com a região. Está em falta no que diz respeito à política do mar, está em falta na qualidade dos serviços de soberania que aqui presta; está em falta quanto aos radares meteorológicos; está em falta quanto ao Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada. Em suma, são demasiadas faltas para serem esquecidas", notou, referindo ainda a Lei de Finanças Regionais, que "retira à região cerca de 70 milhões de euros por ano".

Para a deputada bloquista, "voltar à lei de 2010 é uma necessidade e uma exigência", mas "aquilo que há três anos era um 'atentado à autonomia', hoje parece ser uma coisa normal".

"O que é que mudou, então? O que mudou foi o Governo da República, hoje, do Partido Socialista. Lá vai, pelo mar abaixo, a entoada consigna 'os Açores primeiro'", comentou.

"A análise das Orientações de Médio Prazo, do Orçamento e do Plano, mostra que o Governo Regional não tem um plano para transformar os Açores, numa economia moderna e robusta; mostra que não cumpre as suas promessas eleitorais mais emblemáticas e mais positivas para o futuro dos Açores; e mostra que tem prioridades erradas", acrescentou, concluindo, sem especificar o sentido de voto, que o BE não pode acompanhar o Governo Regional do PS nos documentos orçamentais.


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