Autarca da Praia da Vitória mantém "esperança com reservas" após reunião bilateral


 

Lusa/AO Online   Regional   11 de Fev de 2015, 21:35

O presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória disse hoje ter "esperança com reservas" sobre o desfecho do processo da base das Lajes, depois da reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos.

"Eu tenho esperança, porque de facto se deu enfoque à questão das Lajes e porque Portugal passou a falar a uma só voz, mas tenho algumas reservas porque há uma posição muito rígida das duas partes e não se conseguiu qualquer tipo de evolução que um processo negocial tem", disse Roberto Monteiro, em declarações à Lusa.

O autarca da Praia da Vitória, concelho em que está instalada a Base das Lajes, integrou a comitiva dos Açores na reunião da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América (EUA) que se realizou hoje, em Lisboa.

Segundo Roberto Monteiro, foi decidido realizar uma reunião extraordinária desta comissão, em Washington, para tratar exclusivamente da questão da base das Lajes, nomeadamente, no que diz respeito à fundamentação política e de estratégia militar da decisão dos EUA e às medidas de mitigação do impacto que a decisão terá na ilha Terceira, bem como às questões laborais, de infraestruturas e de pegada ambiental.

Para o autarca, a marcação desta reunião é a prova de que "tem valido a pena a luta", referindo-se não só ao papel da Câmara Municipal da Praia da Vitória, como às manifestações da população, dos sindicatos e de outros intervenientes.

"O processo da base das Lajes entrou como ponto secundário na agenda [da reunião] e transformou-se num assunto de primeira ordem", frisou.

Roberto Monteiro disse que a posição do Estado português superou as suas expetativas, considerando que "pela primeira vez os Açores, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Defesa falaram a uma só voz".

O autarca realçou o facto de o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter considerado que a decisão dos Estados Unidos não era uma estratégia militar mas fundamentalmente política e de ter dito que as Lajes eram um símbolo da relação de Portugal com os Estados Unidos.

O presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória destacou também a exigência por parte do Estado português de mais informação que justificasse a decisão dos Estados Unidos de reduzirem o seu contingente na Terceira, fazendo dessa informação depender o tratamento a dar ao Acordo de Cooperação e Defesa e as condições de permanência dos EUA nas Lajes.

Só quando essa informação chegar ao Estado português será agendada a reunião extraordinária da Comissão Bilateral Permanente, mas até lá os Estados Unidos vão avançar com um inquérito aos trabalhadores portugueses da base das Lajes para abordarem a intenção de rescisão por mútuo acordo, o que é visto como um bom sinal por parte do autarca da Praia da Vitória, tendo em conta o receio dos trabalhadores de que os EUA avancem com um despedimento coletivo começando pelos mais novos.

Apesar de a comitiva norte-americana não se ter mostrado flexível quanto à redução da presença militar ou quanto às compensações, o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória considerou que a realização de uma nova reunião poderá abrir novamente uma oportunidade para os diplomatas no Congresso e no Senado dos Estados Unidos voltarem a intervir no processo.

Roberto Monteiro salientou ainda que o facto de os Açores se terem feito representar pelo presidente do Governo Regional e pelo autarca da Praia da Vitória foi encarado como "importante" por parte da delegação norte-americana.


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