Associados do Montepio reúnem-se hoje para aprovar passagem do banco a SA


 

Lusa/AO Online   Economia   24 de Abr de 2017, 08:29

A Associação Mutualista Montepio Geral tem marcada para hoje, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, uma assembleia-geral extraordinária para os associados deliberarem a passagem da Caixa Económica Montepio Geral, sua associada, a sociedade anónima.

Esta alteração já foi aprovada pela assembleia-geral da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), assim como os novos estatutos, e falta agora a ratificação dos associados da casa-mãe, a Associação Mutualista Montepio Geral, para concluir o processo.

Contudo, para esta reunião (marcada para as 20:00) se realizar é preciso que estejam reunidos dois terços dos associados com direito de voto, pelo que é provável que ocorra apenas na segunda convocatória, em 09 de maio, pelas 21:00.

A Associação Mutualista Montepio tem ao todo cerca de 600 mil associados.

O processo de transformação da Caixa Montepio Geral em sociedade anónima começou em março de 2016, por exigência do Banco de Portugal.

Segundo os novos estatutos do banco como sociedade anónima, a alteração implica que a Associação Mutualista deixe de ter 100% do capital social do banco, uma vez que os atuais detentores de títulos do Fundo de Participação da Caixa Económica Montepio Geral passam a ser acionistas do banco.

De acordo com fonte da associação mutualista, uma vez que esta tem 275 milhões de euros em unidades de participação e 115 milhões de euros estão dispersos, a associação fica com 94,7% do capital social e os restantes acionistas com 5,3%.

A passagem a sociedade anónima permite ainda que a Caixa Económica possa usar prejuízos fiscais de ativos por impostos diferidos, que estão apenas restritos às sociedades anónimos, com melhoria do rácios de solvabilidade CET1 em 100 pontos base, para mais de 11% com as regras de transição.

A passagem a sociedade anónima permite que o capital social da Caixa Económica Montepio Geral seja aberto a novos investidores, uma possibilidade de que se tem falado nos últimos anos face às dificuldades de a Associação Mutualista injetar mais capital no banco, visto que também se debate com constrangimentos financeiros.

Tem sido noticiada a possibilidade de a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa entrar no capital.

A CEMG apresentou um prejuízo de 86,5 milhões em 2016, uma melhoria face ao resultado líquido negativo de 243 milhões de euros em 2015.

Já da Associação Mutualista Montepio são conhecidas, para já, apenas as contas individuais de 2016, com um lucro de 7,4 milhões de euros.

A associação e o banco mutualistas têm estado em foco, com uma sucessão de notícias negativas, como a constituição de António Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista, como arguido em processos-crime.

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