Arqueólogos vão proteger por "todos os meios legais" achados paleolíticos em Sever


 

Lusa/AO online   Nacional   27 de Ago de 2014, 18:07

O presidente da Associação de Arqueólogos Portugueses (AAP), José Arnaud, admitiu recorrer a "todos os meios legais" para assegurar o estudo integral dos achados paleolíticos encontrados durante a construção de uma barragem da EDP, em Sever do Vouga.

Em causa, segundo o mesmo responsável, estão vestígios "absolutamente inéditos e de uma importância excecional", que foram encontrados durante as operações de desmatação, no âmbito das obras da barragem de Ribeiradio/Ermida.

O presidente da AAP diz que a EDP, enquanto dona da obra, e as entidades oficiais foram alertadas há cerca de dois meses para a necessidade de reforçar as equipas de arqueólogos no local, mas até agora nada foi feito.

"Pedimos apenas que nos deem tempo e que a EDP mobilize meios humanos e materiais necessários para que se faça um estudo integral destes vestígios, antes do enchimento da barragem", referiu José Arnaud, que acusa a elétrica de andar em "manobras dilatórias", enquanto as águas vão subindo.

Segundo o presidente da mais antiga associação de defesa do património do país, a água "já estará a chegar muito próximo a um dos locais", o qual "deverá ficar submerso muito em breve".

"Se verificarmos que não há da parte do dono da obra nem dessas entidades uma intervenção rápida no terreno, estamos a ponderar usar todos os meios legais ao nosso alcance para defender aquilo que consideramos os interesses difusos dos cidadãos. Não aceitamos que mais uma vez sejamos colocados perante factos consumados", avisa.

Contactada pela agência Lusa, a EDP rejeitou as acusações, alegando estar a fazer todos os esforços para garantir que os estudos adicionais serão realizados antes do enchimento da albufeira.

"Prova deste empenho é o facto de ter aberto uma exceção nos procedimentos habituais de contratação do grupo - concursos e negociação de proposta - recorrendo, ao invés, à extensão de contratos com duas empresas de arqueologia já a trabalhar no terreno", disse fonte oficial da empresa, adiantando que o processo de adjudicação "acabou de ser concluído".

A mesma fonte referiu ainda que o paredão da barragem está concluído, pelo que o ritmo de enchimento da albufeira dependerá da pluviosidade do próximo outono e inverno.

Os vestígios em causa foram encontrados em duas jazidas no Rôdo e no Vau, situados nas margens dos rios Vouga e Teixeira, a maior das quais com cerca de cinco mil metros quadrados.

"São estruturas de habitação do paleolítico, nomeadamente restos de lareiras que contêm elementos que permitem uma reconstituição do ambiente e uma datação por radiocarbono desses sítios", referiu o presidente da AAP, acrescentando que "não há nenhum sítio em Portugal com vestígios tão bem preservados desta época, em espaço aberto".


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