Renato Seabra "matou por raiva"

Renato Seabra "matou por raiva"

 

Lusa/AO Online   Internacional   29 de Nov de 2012, 05:54

A procuradora norte-americana encarregue da acusação a Renato Seabra pelo homicídio de Carlos Castro em Nova Iorque defendeu hoje, perante os jurados do caso, que o jovem matou "por raiva" e que "pensou claramente" a fuga.

Na sua alegação final, que foi interrompida ao fim de uma hora e será retomada na quinta-feira, a procuradora Maxine Rosenthal disse ser "fabricada e ridícula" a tese da defesa de que Seabra estivesse em delírio durante o crime, contrapondo que existe um motivo para o crime que "não podia ser mais claro".

"Porque matou Carlos Castro? Porque o dinheiro, as prendas, as viagens, a cultura, a fama, estava tudo a desaparecer num instante", defendeu Rosenthal.

"O motivo foi raiva, frustração, vergonha de ir para casa e ter de ir para casa enfrentar amigos e família", depois de ter mantido uma relação homossexual com a vítima, que o rejeitou antes do crime, disse.

"Talvez esta raiva tenha sido uma reação excessiva, mas não foi um delírio", adiantou a procuradora.

Assumindo que iniciou a relação com Castro a troco de favores materiais, Seabra confrontou-se nas horas antes do crime com o facto de "todos irem saber" da natureza sexual da mesma, que tinha escondido da mãe e de amigos, argumentou.

Com o réu novamente ausente do julgamento, mas a mãe e familiares de Castro presentes, os 12 jurados, seis homens e seis mulheres, seguiram a longa intervenção com atenção.

Na quinta-feira, os jurados irão iniciar as suas deliberações, até que cheguem a um veredicto unânime.

Depois de comunicado o veredicto ao tribunal, caberá ao juiz ditar a sentença, caso Seabra seja considerado culpado de homicídio em segundo grau, incorrendo numa pena que pode ir de 15 anos a prisão perpétua.

Durante a manhã, o advogado de defesa David Touger sustentou que foram problemas mentais a levar ao violento crime de 07 de janeiro de 2011, apoiando-se nos diagnósticos de quase duas dezenas de médicos de que o jovem sofre de doença bipolar com surtos psicóticos.

Defendeu que o jovem agiu a mando "de Deus" e apontou a brutalidade do homicídio, das mutilações do corpo da vítima, incluindo nos órgãos genitais, e o comportamento da vítima depois do crime, não fugindo mas indo para um hospital, como indicação do seu estado psicótico.

Para ilustrar a brutalidade de Seabra durante o crime, depois de sufocar a vítima, Touger dramatizou os atos do homicida durante as cerca de três horas no quarto do Hotel Intercontinental, usando perante os jurados as armas do crime - ténis, um monitor de televisão e um saca-rolhas.

Rosenthal defendeu que o tempo passado no quarto mostra, pelo contrário, que o homicida planeou a fuga, mudando de roupa e munindo-se de passaporte, perto de 1.600 dólares em dinheiro e do itinerário da viagem de avião para Portugal, que tinha sido antecipada por Castro.

Seabra "mostrou planeamento, presença, ação deliberada e o tempo que passou no quarto é sinal de que este homem está a pensar claramente, sabe o que fez, que é errado, está a limpar-se e a sair com um plano", sustentou.

O plano inicial, adiantou, era ir para o aeroporto e daí para Portugal, mas este foi frustrado quando foi surpreendido a sair do hotel por uma amiga de Castro e a filha desta e percebeu que a polícia o vai encontrar em pouco tempo.

O "plano B", quando já está perto do terminal de transportes de Penn Station, é apanhar um táxi para ser levado a um hospital, e na viagem diz ao taxista para mudar a estação de rádio para as notícias a fim de saber "se o corpo já tinha sido encontrado", disse a procuradora.

As declarações posteriormente feitas à polícia, dizendo ter "feito o bem" ao matar Castro foram "em benefício próprio", para poder declarar-se como não culpado devido a problemas mentais, adiantou.

A procuradora irá concluir a exposição dos seus argumentos na quinta-feira, passando depois o caso para as mãos dos jurados.

 


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