APAV/Açores comemora dez anos com sonho de alargar apoio a mais ilhas

APAV/Açores comemora dez anos com sonho de alargar apoio a mais ilhas

 

Lusa/Açoriano Oriental   Regional   27 de Jun de 2017, 11:59

A delegação dos Açores da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) comemora no sábado dez anos com o sonho de alargar o apoio a mais ilhas do arquipélago e criar mecanismos de apoio às vítimas através da Internet.

"Os pedidos de apoio das vítimas têm aumentado. A nível estatístico, são as vítimas de violência doméstica aquelas que maioritariamente solicitam os nossos serviços", afirmou Sílvia Branco, gestora da APAV/Açores, em declarações à agência Lusa.

Disponibilizando apoio a nível social, psicológico e jurídico, a APAV nos Açores está instalada em São Miguel, mas presta auxílio a vítimas de crime residentes noutras ilhas "através de contacto telefónico e 'email'".

"Contudo, gostaríamos de conseguir uma maior proximidade a estas vítimas", assumiu Sílvia Branco, manifestando o desejo de estender os serviços da APAV a outras ilhas, através da abertura de mais espaços ou, em alternativa, criar um apoio mais personalizado à distância, via Internet.

Segundo as estatísticas da APAV/Açores, em 2015, por exemplo, foram registados 613 processos de apoio num total de 494 vítimas diretas, assinalando-se 910 crimes ou outras formas de violência.

Nesse ano, houve um total de 2.468 atendimentos e os crimes contra as pessoas representaram 94,3% do total de registos na associação, nomeadamente a violência doméstica (79,2%), mas há a assinalar, também, crimes fora desta categoria, como o dano (1,1%) e 'stalking'/assédio persistente (1,5%).

No que diz respeito a 2016, o Gabinete de Apoio à Vítima de Ponta Delgada, registou 496 processos de apoio e 442 vítimas diretas de 796 crimes e outras formas de violência.

"Relativamente aos crimes registados, o destaque vai para os crimes contra as pessoas, com uma dimensão de 94,1% face ao total. De entre estes, o destaque vai para os maus-tratos físicos e os maus-tratos psíquicos, que representam cerca de 57%", indicam os dados.

Segundo Sílvia Branco, a maioria das vítimas que pede ajuda é mulher e solicita apoio devido a violência doméstica, mas as situações relacionadas com homens começam a ser "mais sinalizadas".

"Temos desde 2010 um projeto com o Comando Regional da PSP nos Açores em termos de referenciação, o que significa que quando as vítimas vão apresentar queixa podem beneficiar do nosso apoio, desde que deem o seu consentimento", referiu, acrescentando que este projeto nas esquadras de Ponta Delgada e da Lagoa permite, também, esclarecer os cidadãos sobre o apoio que a APAV presta.

Paralelamente, existe um sistema de referenciação junto da Polícia Judiciária para vítimas de crimes de cariz sexual.

Segundo a responsável, durante uma década a APAV tem apostado na proximidade à população para que esta tome "conhecimento dos seus direitos e da forma como os pode reivindicar", promovendo ainda formação junto de alunos, técnicos e profissionais.

A associação comemora o seu 10.º aniversário no sábado, mas assinala a data um dia antes com o seminário "APAV Açores, 10 anos a dar voz ao silêncio", no auditório do Edifício CTT, em Ponta Delgada.


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