Antigo primeiro-ministro condena campanha "enganadora" pela saída do Reino Unido da UE

Antigo primeiro-ministro condena campanha "enganadora" pela saída do Reino Unido da UE

 

LUSA/AO Online   Internacional   5 de Jun de 2016, 15:14

O antigo primeiro-ministro britânico John Major criticou hoje duramente os seus colegas conservadores envolvidos na campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o chamado Brexit, que vai ser referendado a 23 de junho.

John Major condenou numa entrevista dada à estação televisiva BBC a campanha "enganadora" levada a cabo pelo 'Vote Leave' (vota saída), o grupo de pressão liderado pelos conservadores que quer que o Reino Unido deixe a União Europeia, considerando que tem vindo a usar argumentos "fundamentalmente desonestos" sobre as potenciais consequências económicas. A sua intervenção seguiu-se à acusação lançada pelo conservador Boris Johnson, antigo 'mayor' de Londres, de que os votantes "não podem confiar" nas promessas do governo relativas à garantia de que o Reino Unido não vai ser obrigado a contribuir para qualquer futuro resgate de um país na zona euro. Faltam menos de três semana para a votação do Brexit e as sondagens mostram que vai ser uma corrida apertada até ao fim, abrindo a real possibilidade de o Reino Unido se tornar o primeiro país a sair do bloco de 28 Estados europeus. A média das últimas seis sondagens calculada pelo projeto de pesquisa 'What UK Thinks' (o que pensa o Reino Unido), hoje divulgada, dá 50% de votos para cada lado, excluíndo os votantes indecisos. A campanha pelo 'Remain' (fica) tinha anteriormente uma ligeira vantagem. As consequências económicas de ficar ou abandonar a União Europeia têm sido um dos principais campos de batalha desta campanha, que está a ser disputadas por dois grupos principais, ambos dominados por membros do Partido dos Conservadores, do qual faz parte o primeiro-ministro David Cameron. Cameron, apoiante da permanência do Reino Unido na União Europeia, tem visto a campanha pelo 'Remain' levantar a perspetiva de o Brexit provocar uma recessão económica e um aumento do desemprego. Também o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governador do Banco de Inglaterra já alertaram para os riscos económicos para o país caso o Brexit se concretize. Já a campanha a favor da saída argumenta que podem ser criados 300 mil postos de trabalho no Reino Unido em virtude da realização de novos acordos comerciais fora do mercado único europeu. John Major, que exerceu o cargo de primeiro-ministro entre 1990 e 1997 realçou hoje na peça difundida pela BBC que os seus colegas conservadores favoráveis ao Brexit "sabem que estão a ser imprecisos". E destacou: "Estou zangado com a forma com que os cidadãos britânicos estão a ser enganados".


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