Antigo administrador da Transmaçor pondera processar deputado socialista por difamação

Antigo administrador da Transmaçor pondera processar deputado socialista por difamação

 

Lusa/AO Online   Regional   19 de Nov de 2015, 15:16

O ex-administrador da Transmaçor Luís Morais admitiu hoje processar o deputado socialista e comandante da marinha mercante Lizuarte Machado por difamação, por ter dito que os relatórios encomendados pela empresa de transporte marítimo eram um "conjunto de arranjinhos".

“As declarações de Lizuarte Machado são de mau tom e de extrema gravidade quando diz que os relatórios encomendados pela Transmaçor são um conjunto de arranjinhos”, afirmou Luís Paulo Morais, acrescentando que ainda não decidiu o que irá fazer, mas considerando haver “uma situação de difamação clara”.

Luís Paulo Morais falava, em Ponta Delgada e pela segunda vez, na comissão de inquérito do parlamento açoriano ao transporte marítimo de passageiros e infraestruturas portuárias, criada para analisar investimentos públicos e apurar responsabilidades políticas nos acidentes de 2014 na Horta, em São Roque do Pico e na Madalena do Pico.

Em São Roque, um homem morreu a bordo de um navio de transporte de passageiros, depois de ter sido atingido por um cabeço de amarração que se soltou quando a embarcação atracava no dia 14 de novembro de 2014. Dos outros incidentes (Horta e Madalena) não resultaram vítimas.

O atual gerente da Atlânticoline, empresa pública de transporte marítimo de passageiros na qual foi incorporada a Transmaçor (que operava apenas no grupo central do arquipélago) disse desconhecer “em que condição foi ouvido Lizuarte Machado” pelos deputados e se o comandante tem ou não “conhecimentos técnicos para avaliar o que vem nos relatórios em termos de hidráulica”, entre outros aspetos.

Na audição, a 10 de outubro, o comandante da Marinha Mercante e especialista em transportes marítimos Lizuarte Machado considerou infundados e contraditórios alguns relatórios feitos na sequência de quatro acidentes, um deles mortal, em que rebentaram estruturas de amarração em portos açorianos.

O socialista disse que alguns estudos são “um misto de arranjinhos e falta de conhecimentos técnicos” e criticou o facto de a Transmaçor ter pedido à Rinave – Registo Internacional Naval uma análise das condições técnicas do porto de S. Roque, quando essa função caberia à Portos dos Açores (gestora destas infraestruturas).

Aos deputados, Luís Paulo Morais considerou que o acidente mortal ocorrido no porto de S. Roque se ficou a dever a “um conjunto de fatores”, nomeadamente condições de mar, cabeços, cabos e erros de projeto, alegando que tanto quanto sabe o cabeço que rebentou em S. Roque do Pico “tinha problemas de corrosão”.

“No navio não falhou nada. A responsabilidade do rebentamento dos cabeços não é da Transmaçor”, afirmou Luís Paulo Morais, sem indicar em concreto de quem é a culpa pelo sucedido nos portos da Horta, Madalena e S. Roque do Pico.

Segundo o responsável, atualmente os barcos “Mestre Simão” e “Gilberto Mariano” (com os quais ocorreram os acidentes) utilizam cabos de amarração de 44 milímetros, cumprindo a imposição do projetista, da Capitania e da Portos dos Açores, mas seria melhor usar cabos de 60 milímetros, até porque os primeiros “têm um desgaste extremamente elevado, sendo trocados de dois em dois meses”.

“Para nós, esses cabos 44 não são os indicados, porque têm uma resistência menor e podem provocar mais alguns cancelamentos na operação. Gostaríamos de operar com cabos de 60 milímetros. Estamos a operar com limites de segurança”, disse Luís Paulo Morais, esclarecendo que a operação dos navios da Atlânticoline decorre com segurança.

O gerente da Atlânticoline referiu que a Transmaçor cumpriu com o recomendado no ano passado e investiu na aquisição de cabo ‘antichicote’, que não estão, contudo, a ser utilizados porque se verificou que não se adequavam à operação dos navios.

Tratou-se, considerou, “um péssimo investimento”, que não quantificou.

“Os cabos ‘antichicote’ estão na Horta. Não podem ser utilizados nos dois navios. Foi um péssimo investimento da Transmaçor, eventualmente poderão ser utilizados no inverno nas amarrações durante a noite”, referiu o gerente da Atlânticoline.

O responsável reconheceu que ainda não existem regras definidas para a dimensão dos cabos utilizados na amarração e que a certificação dos navios não inclui a certificação da bitola desses cabos, acrescentando que os cabos de 44 milímetros atualmente em uso custam, cada um, cerca de dois mil euros.

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