Gomes de Menezes assume divergências com Governo açoriano

Gomes de Menezes assume divergências com Governo açoriano

 

LUSA/AO Online   Regional   16 de Jul de 2015, 22:38

O anterior presidente da SATA, António Gomes de Menezes, assumiu nesta quinta-feira que deixou a empresa, em 2014, por divergências com o Governo dos Açores, a quem acusou de falta de "sensibilidade" para a situação financeira "crítica" da companhia.

Gomes de Menezes foi hoje ouvido na comissão parlamentar de inquérito da SATA criada no parlamento dos Açores e afirmou que de 2007 a 2012 manteve com o único acionista da companhia (o Governo Regional) e, especificamente, com a Secretaria da Economia, uma relação de "entendimento", em que havia "bom senso", "lealdade", "proximidade" e troca de informação. Segundo afirmou, esse tipo de relacionamento mudou a partir de 2013, ano "atípico", em que um conjunto de fatores perturbaram a "performance financeira" da SATA, que até 2012 havia tido contas equilibradas. Gomes de Menezes afirmou que a administração da SATA preparou orçamentos e planos estratégicos para a empresa, com recurso a entidades externas, desde "meados de 2013", após um semestre "trágico", com medidas que deveriam ser adotadas logo em 2014 para responder à degradação da situação da companhia. No entanto, nem os orçamentos nem os planos foram acolhidos pela tutela e no final de abril de 2014, a empresa continuava sem orçamento para aquele ano ou um plano estratégico ate 2020, tal como o executivo regional se havia comprometido a aprovar, disse o antigo administrador, que renunciou ao cargo nessa altura. Gomes de Menezes referiu que na sua carta de renúncia invocou também que não havia "delineação clara e inequívoca" dos poderes executivos do Conselho de Administração e a falta "da devida sensibilidade" por parte da tutela para com matérias financeiras "críticas", incluindo o pagamento atempado das dívidas do Governo Regional à SATA. A SATA fechou 2012 com um lucro de alguns milhares de euros, mas em 2013 o prejuízo foi superior a 15 milhões, número entretanto duplicado, para 30 milhões de euros, depois de uma revisão das contas ao abrigo de novas regras de contabilidade e a incorporação de alguns aspetos que tinham causado dúvidas ao auditor. Gomes de Menezes referiu diversas causas para os resultados de 2013, destacando a "incrível violência socio laboral", com diversas greves, e a "incapacidade do principal devedor" à empresa, o executivo açoriano, em cumprir os prazos médios de pagamento. Segundo o administrador, as greves, que considerou o fator que mais contribuiu para os maus resultados de 2013, tiveram custos diretos de entre 5 e 7 milhões de euros, a que há que somar a perda de confiança na SATA, por parte de diversos operadores, que deixaram de querer trabalhar com a companhia. Gomes de Menezes considerou que na questão do conflito laboral na empresa em 2013, que se arrastou durante meses, o que "falhou" foi a incapacidade de se conseguir encontrar uma "solução expedita e eficaz", como aconteceu na TAP, mas sublinhou que a administração "nunca se demitiu" de procurar soluções e desde "o primeiro momento" alertou a tutela para as "graves consequências" da falta de "paz social". No entanto, sublinhou que estava em causa uma matéria "estruturante", do "âmbito estratégico", que tinha de ter a aprovação da tutela, até porque a SATA pertence ao setor empresarial público regional. O administrador deu esta resposta depois de PCP e BE terem questionado se a assinatura do acordo com os sindicatos só aconteceu após meses de conflito por decisão do executivo açoriano. Nesta audição, Gomes de Menezes referiu também o anúncio, em agosto de 2013, pelo presidente do Governo Regional, de novas tarifas aéreas para a América do Norte, que disse ter sido feito "antes do tempo" e focado em descontos superiores a 50%, o que levou a cancelamentos de reservas e pedidos de reembolsos e a um "hiato" de meses na atividade, até poderem ser comprados bilhetes aos novos preços.



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