Anterior presidente da SATA descarta responsabilidade por "frota ociosa" atual


 

Lusa/AO Online   Regional   17 de Jul de 2015, 07:26

O anterior presidente da SATA, António Gomes de Menezes, disse hoje que se a companhia tem neste momento "frota ociosa" não é por opções tomadas pelas administrações de que fez parte.

Foi durante a gestão de Gomes de Menezes que a SATA adquiriu a atual frota para os voos entre ilhas dos Açores, que o seu antecessor no cargo, António Cansado, já disse ter sido uma má opção e estar sobredimensionada. Também a atual administração já assumiu que há "frota ociosa" neste momento.

Durante uma audição hoje na comissão de inquérito à SATA do parlamento dos Açores, Gomes de Menezes, que saiu da SATA em maio de 2014, afirmou que a frota, quando foi adquirida, em 2009, estava bem dimensionada para as "obrigações" que então a empresa tinha assumidas perante a República e a Região Autónoma.

"Se existe frota ociosa agora não foi por nenhuma decisão de um Conselho de Administração em que eu tenha estado", afirmou.

Gomes de Menezes lembrou que era a SATA que assegurava a rota Funchal/Porto Santo, mas que deixou essa operação no final de 2013.

Segundo afirmou, o Governo da República propôs à SATA a continuação dessa operação por ajuste direto, com o qual a administração da empresa concordava, depois de analisar o "resultado antes de impostos".

A administração da SATA propôs ao Governo Regional dos Açores, que tutela a empresa, a aceitação do ajuste direto, mas o executivo açoriano não concordou com a opção e a companhia deixou de fazer essa rota.

Assim, a frota esteve "sempre estritamente ocupada até final 2013", afirmou.

Gomes de Menezes defendeu, por outro lado, a opção pelos aviões Dash, sublinhando, entre outras coisas, que os Q400 são os aviões com "menos custo por lugar" no tipo de operação que se faz no arquipélago, têm mais capacidade de carga e são os mais adequados à "extrema sazonalidade".

Sobre esta questão, vincou ainda que a renovação da frota da SATA Air Açores foi validada por diversas entidades, deste o Tribunal de Contas ao Ministério Público e incluindo o Banco Europeu de Investimento, que aceitou financiar a compra dos aviões e com boas condições para a empresa.

Sobre a renovação da frota de médio e longo curso da SATA, que a empresa está a fazer este ano, escusou-se a assumir uma posição clara sobre a necessidade e urgência de substituir alguns aviões e sobre a escolha dos novos aparelhos.

A este respeito, disse que estudos da época em que administrava a companhia, com base em certos pressupostos, apontavam para determinadas soluções e cenários, mas que "tudo isto é dinâmico" e não possui dados e informações para se pronunciar sobre as escolhas atuais.

Durante esta audição, Gomes de Menezes referiu-se também às rotas deficitárias para a Europa que a empresa abriu durante a sua administração, explicando que resultaram de uma solicitação do Governo dos Açores que teve o objetivo de levar turistas à região numa altura em que a crise nacional afetou muito o turismo e a economia açoriana.

Gomes de Menezes defendeu que se enquadravam na "missão" da SATA de ser "um instrumento" ao serviço dos Açores e que foram decisões tomadas, até 2012, em diálogo com o Governo Regional, e sempre tendo em atenção sustentabilidade da companhia.


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