Amnistia preocupada com as consequências da venda a empresa chinesa


 

Lusa/AO Online   Economia   23 de Dez de 2011, 07:49

A Amnistia Internacional Portugal alertou hoje para a possibilidade de graves problemas ambientais, de direito à habitação e ao trabalho decorrentes da venda da participação portuguesa da EDP à China Three Gorges Corporation.

Em comunicado, a amnistia refere que na China a construção da barragem das Três Gargantas tem dado origem a sérios problemas de poluição do rio Yangtzé com secagem de pântanos, destruição do modo de vida de comunidades piscatórias, alternância de secas e de cheias com a consequente erosão dos terrenos e o aparecimento de doenças tropicais até então quase inexistentes.

Segundo a Amnistia Internacional Portugal a barragem das Três Gargantas foi construída numa grande falha tectónica com grande instabilidade dos terrenos adjacentes: verificam-se grandes deslizamentos de terras até vários quilómetros de distância da barragem por vezes com destruição de aldeias inteiras.

Para a construção da barragem, adianta, foram desalojados um milhão de cidadãos chineses, a maioria dos quais não recebeu uma indemnização justa ou teve direito a realojamento.

“Isto demonstra a falta de respeito pelos direitos humanos e ambientais da companhia em questão. Também é conhecido o desrespeito pelo direito ao trabalho por parte das grandes empresas chinesas”, frisa a organização.

A Amnistia Internacional de Portugal diz ainda temer que “ações futuras de construção ou ampliação de infraestruturas produtoras de energia elétrica levadas a cabo pela China Three Gorges Corporation venham a reger-se pelos mesmos padrões de desrespeito dos direitos económicos, sociais e ambientais das populações”.

Os chineses da Three Gorges Corporation foram hoje os escolhidos pelo Governo para a aquisição da participação pública de 21,35 por cento na EDP.

A Parpública, detentora da posição do Estado, comunicou que a alienação será efetuada por 2,69 mil milhões de euros, num prémio de 53,6 por cento em relação ao preço de mercado no dia 21 de dezembro da elétrica liderada por António Mexia.

Pelo caminho ficaram o grupo alemão E.ON e as empresas brasileiras Eletrobras e Cemig.


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