Amnistia Internacional pede mais meios europeus paa salvar imigrantes no Mediterrâneo

Amnistia Internacional pede mais meios europeus paa salvar imigrantes no Mediterrâneo

 

Lusa/AO online   Internacional   30 de Set de 2014, 11:00

A Amnistia Internacional defendeu que a nova liderança da União Europeia (UE) deve aumentar o seu poder aéreo e naval no Mediterrâneo para resgatar imigrantes, que estão a morrer aos milhares ao tentar chegar ao continente europeu.

 

A organização não-governamental (ONG) de direitos humanos divulgou hoje um relatório - "Lives adrift: Refugees and migrants in peril in the central Mediterranean – a mostrar que as atitudes - ou falta delas - dos governos europeus já provocaram a morte de milhares de pessoas que tentam chegar à Europa.

A investigação da Amnistia Internacional (AI) antecipa o aniversário de um ano dos naufrágios de Lampedusa (Itália), a 03 de outubro de 2013, em que mais de 500 pessoas morreram no mar.

Este documento da ONG baseada no Reino Unido descreve uma “fortaleza europeia” a bloquear os imigrantes e refugiados, muitos fugidos dos conflitos na Síria e em outros países do Médio Oriente e no norte da África.

O lançamento do relatório, em Bruxelas, ocorreu horas antes da audiência de confirmação de Dimitris Avramopoulos como comissário europeu para a Migração e Assuntos Internos.

A Organização Internacional para Migrações (OIM) divulgou na segunda-feira que mais de 3.000 imigrantes morreram ao tentar cruzar o Mar Mediterrâneo só neste ano, mais do que o dobro do recorde anterior em 2011.

“A UE e os seus países membros devem urgentemente providenciar um aumento no número de meios de busca e salvamento no Mediterrâneo central, com um mandato claro para salvar vidas humanas em alto mar”, disse John Dalhuisen, diretor da AI para Europa e Ásia central.

A Amnistia Internacional expressou preocupação sobre se a União Europeia poderia substituir a tempo e nas mesmas condições o “Mare Nostrum”, um plano naval de salvamento lançado pela Itália depois dos naufrágios de Lampedusa, mas que Roma já ameaçou encerrar se não receber mais ajuda dos países europeus.

“O que está claro é que se a Itália decidir diminuir ou encerrar por completo (o Mare Nostrum), antes da implementação de uma operação comparável no seu lugar, muitas vidas serão perdidas no mar”, de acordo com o documento, de 80 páginas.

A AI disse que a capacidade da agência europeia de fronteiras (Frontex) – escolhida para suceder o Mare Nostrum no final de novembro – para realizar as ações de busca e salvamento “permanece duvidosa”, uma vez que depende dos recursos dos Estados membros.

Por isso, a ONG pediu que sejam destinados “recursos financeiros adequados, recursos navais e aéreos para o Frontex” para impulsionar os poderes da agência na busca e salvamento no Mar Mediterrâneo e no mar Egeu.

A AI citou números da Agência da Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mostrando que 60.000 imigrantes e refugiados chegaram a UE por barco em 2013, superior a média de 40.000 mil por ano, nos 15 anos anteriores.

Cerca de 43.000 chegaram à Itália em 2013, referiu o documento, que também recolheu depoimentos de sobreviventes dos naufrágios.

A Amnistia Internacional referiu que os controlos terrestres apertados da União Europeia – especialmente ao longo das fronteiras gregas, búlgaras e turcas – forçou muitos imigrantes do Médio Oriente e África considerarem “uma perigosa travessia até a Itália ou Malta”.

Ao mesmo tempo, os fluxos de imigrantes aumentaram com as guerras e conflitos em locais como o Iraque, Síria, territórios palestinianos e Líbia, que é também o principal ponto de partida para a Europa.

“Em última análise, o número de mortos no Mediterrâneo diminuirá somente se rotas seguras na Europa forem abertas”, indicou ainda o documento.


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