Agricultura em Moçambique abranda crescimento para 3,5% até 2020


 

Lusa/AO Online   Economia   28 de Mar de 2016, 08:15

A Economist Intelligence Unit (EIU) estima que o setor da agricultura em Moçambique vai crescer à volta dos 3,5 por cento até 2020, abrandando face à média anual de 05% registada entre 2005 e 2015.

 

"Na ausência de medidas que aumentem a produtividade entre os agricultores de menor dimensão, esperamos que o setor da agricultura abrande para cerca de 3,5% por ano entre 2016 e 2020, o que compara com uma média anual de mais de 5% entre 2005 e 2015", dizem os peritos da unidade de análise da revista britânica The Economist.

Na nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os analistas explicam que "apesar da expansão de algumas explorações comerciais ir sustentar a tendência de crescimento positivo no setor agrícola em Moçambique, intensificar as pressões sobre a terra vai tornar cada vez mais difícil aumentar a produção simplesmente por expandir a área cultivada".

Ao invés, a EIU defende que a melhor maneira de potenciar o setor passa por "melhorar a resistência ao clima com sistemas de irrigação melhorados e fortalecer as infraestruturas", mas considera que "dado o enfoque do Governo nos projetos em larga escala, o progresso deve continuar lento".

A agricultura, considera a EIU, vai continuar a ser "um dos principais contribuintes para o crescimento do PIB entre 2016 e 2020, mas as perspetivas a curto prazo são manietadas pelos choques meteorológicos motivados pelo El Niño".

Para além dos problemas de seca e chuvas fortes que afetam o sul e o norte de Moçambique, os analistas da Economist dão conta ainda da "falta de empenho" do Governo para melhorar a resiliência ao clima, e por isso "a prespetiva de evolução a médio prazo vai continuar dependente das chuvas imprevisíveis".

Os fluxos de investimento direto estrangeiro, a agenda política do Governo e a convertura internacional dos meios de comunicação social tem-se focado de forma esmagadora nos últimos cinco anos nos recursos de gás e carvão, diz a EIU, alertando, no entanto, que "a agricultura ainda é provavelmente o setor mais importante do país".

Este setor contribui com 25% para o PIB, emprega mais ou menos 80% da força de trabalho e vale 40% das receitas das exportações do país, razão pela qual, defende a EIU, dadas as dificuldades atuais dos mercados internacionais nas matérias primas, "aumentar a produtividade do setor agrícola tem o potencial para aumentar o crescimento económico inclusivo".

 

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