Acusado de rapto de menor nos Açores começa a ser julgado na quinta-feira

Acusado de rapto de menor nos Açores começa a ser julgado na quinta-feira

 

Lusa/AO Online   Regional   17 de Fev de 2016, 09:51

O Tribunal Judicial de Ponta Delgada, nos Açores, começa a julgar na quinta-feira um homem acusado do crime de rapto agravado de uma menina de 11 anos, na freguesia de São Roque.

O caso remonta a 14 de março de 2015 e o arguido, de 46 anos, vizinho da criança, foi detido no próprio dia por ser suspeito de raptar, agredir e violar a menina.

Na ocasião, o primeiro interrogatório judicial do homem foi realizado, por razões de segurança, em local não divulgado, e demorou cerca de duas horas, enquanto nas imediações do tribunal se mantinham concentrados muitos populares.

O despacho de acusação, a que a Lusa teve hoje acesso, sustenta que o arguido “agiu voluntária, livre e conscientemente, conhecendo a idade da ofendida, pessoa indefesa”, e com o intuito de “com ela manter contactos sexuais, agredindo-a e atando-a de forma bárbara”, e “com perigo para a vida” da menor.

O Ministério Público (MP) refere que o homem resolveu naquele dia "manter trato sexual com a sua vizinha”, então com 11 anos, e que morava no mesmo prédio.

Segundo o MP, o arguido aproveitou a saída da menor quando esta foi sozinha despejar o lixo e, no regresso, “tentou atraí-la com a desculpa de que precisava de ajuda para ligar o cabo da televisão”.

De acordo com a acusação, no interior da habitação a criança foi agredida, tendo o homem colocado “um pano na boca para a impedir de pedir socorro ou gritar” e “amarrou-lhe as mãos”.

A menor ainda terá tentado soltar-se e fingiu-se desmaiada, tendo o arguido procurado escondê-la quando o pai desta lhe bateu à porta, relata o MP.

O homem terá dito que "estava aflito a procurar" a vítima, mas referiu que ela “tinha entrado num automóvel".

A criança acabou por ser encontrada, poucas horas depois do alerta do seu desaparecimento, "debaixo de uma cama, imóvel, com as mãos amarradas atrás do corpo e amordaçada”.

Devido às lesões sofridas, a menor esteve cerca de dez dias internada, apresentando "sequelas permanentes”, com “dificuldades em adormecer e pesadelos", e “permanente medo de sair à rua”, fatores que sustentam um pedido de indemnização dos pais da menor de 250 mil euros.

O arguido está em prisão preventiva desde 16 março de 2015 em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e a menor já prestou declarações para memória futura.

O início do julgamento está previsto para as 14:00.


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