Açores entregam a 21 de setembro candidatura das fajãs de S. Jorge a reserva da biosfera

Açores entregam a 21 de setembro candidatura das fajãs de S. Jorge a reserva da biosfera

 

Lusa/AO Online   Regional   27 de Ago de 2015, 08:29

Os Açores formalizam a 21 de setembro a candidatura das fajãs da ilha de São Jorge a Reserva da Biosfera da Unesco, que terá uma resposta em março de 2016, anunciou o executivo regional na quarta-feira.

O Governo Regional dos Açores, as duas câmaras municipais da ilha (Velas e Calheta), o Parque Natural de São Jorge e o Comité Nacional do Programa MAB – O Homem e a Biosfera assinaram na quarta-feira à noite, numa cerimónia pública, em São Jorge, o formulário da candidatura que vai ser entregue à Comissão Nacional da Unesco a 21 de setembro e que depois segue para Paris, para o secretariado desta agência das Nações Unidas.

A decisão em relação à candidatura será conhecida em março de 2016, no Peru, onde decorrerá o próximo Congresso Mundial de Reservas da Biosfera.

Miguel Clusener, da Unesco, felicitou as autoridades regionais e locais pelo trabalho que fizeram para concluir esta candidatura e fez votos para que “termine bem”, ressalvando que o desfecho “não depende apenas da Unesco”, mas “principalmente da comunidade internacional”, ou seja, dos estados membros da agência das Nações Unidas para a educação e cultura.

Os Açores possuem três ilhas classificadas como reserva da biosfera (Flores, Corvo e Graciosa), havendo no total do país oito zonas com esta distinção.

Este “peso dos Açores” nas reservas da biosfera portuguesas foi destacado por Jorge Mesquita, da comissão nacional da Unesco, que considerou, em declarações aos jornalistas, “impressionante” a “riqueza natural” do arquipélago, “a dimensão das fajãs de São Jorge” e “a sua ligação com a identidade cultural e o modo de vida” local, dizendo que “tudo isto é reconfortante” em relação a esta nova candidatura.

Também o secretário regional da Agricultura e Ambiente do Governo dos Açores, Neto Viveiros, se mostrou confiante no êxito da candidatura, dizendo que as suas “enormes potencialidades” foram reconhecidas “por todos”.

“Estão reunidas todas as condições, do ponto de vista humano, cultural, social, económico, para que esta candidatura possa sair vencedora”, disse aos jornalistas.

Neto Viveiros destacou ainda “os ganhos” que a classificação da Unesco traz consigo, como “tornar os Açores mais conhecidos no mundo” e “tornar mais conhecidos os produtos” que se fazem na ilha de São Jorge, que poderão passar a ostentar o selo da reserva da biosfera.

Tal como a generalidade dos intervenientes nesta cerimónia, Neto Viveiros destacou que a classificação de um local como reserva da biosfera “não representa” a imposição de restrições.

Uma reserva da biosfera é “um lugar vivo”, que “necessariamente tem de ter pessoas e atividade humana”, onde a conservação da riqueza natural e do património cultural se alia ao desenvolvimento sustentável, acrescentou, por seu turno, Anabela Trindade, do Programa MAB.

“Se uma reserva da biosfera não está a contribuir para o desenvolvimento regional e local não está a cumprir a sua função” e acabará por ser desclassificada, sublinhou, afirmando que a sua gestão exige cooperação de diversas entidades e o envolvimento das populações.

As fajãs de São Jorge - que são mais de 70 e, diversos casos, são de difícil acesso - são terrenos planos ao nível do mar numa ilha que é muito escarpada e com alguma altitude.

As fajãs resultaram da acumulação de detritos, na sequência de terramotos, ou de escoadas lávicas das erupções vulcânicas e os seus terrenos planos e férteis, onde existe um clima mais ameno do que nos pontos altos da ilha, acabaram por ser usados pelas populações, ao longo dos séculos, para a agricultura.

 


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