Fajãs de São Jorge determinaram ocupação e vida nesta ilha dos Açores


 

Lusa/AO Online   Regional   27 de Ago de 2015, 08:30

As fajãs de São Jorge, candidatas a reserva da biosfera da Unesco, determinaram a ocupação desta ilha dos Açores ao longo de séculos e toda a sua vida social e económica, funcionando ainda como uma despensa da população.

As fajãs resultaram da acumulação de detritos, na sequência de terramotos, ou de escoadas lávicas das erupções vulcânicas e os seus terrenos planos e férteis, numa ilha muito escarpada e alguma altitude, acabaram por ser ocupados e usados pelas populações para a agricultura.

“Determinaram, de forma clara, a ocupação do território e toda a atividade económica e social da ilha”, destacou o secretário regional da Agricultura e Ambiente do Governo dos Açores, Neto Viveiros, na quarta-feira à noite, numa intervenção na cerimónia em que foi assinado o formulário da candidatura das fajãs de São Jorge a reserva da biosfera, que será entregue a 21 de setembro à Unesco (agência das Nações Unidas para a educação e cultura).

Para além da beleza e riqueza naturais, as fajãs de São Jorge têm “costumes associados”, que são “únicos no arquipélago dos Açores” e que “resultaram numa especificidade cultural que se mantém”, disse ainda Neto Viveiros, que deu como exemplo as “mudas”, ou seja, “a transposição da vida das pessoas das casas” que tinham nas zonas altas da ilha para as casas da fajã, “que, muitas vezes, não passavam de uma adega ou uma pequena casa, constituída por cozinha e quarto”.

Em São Jorge, as fajãs foram e ainda são uma despensa da população, por ser aí que são plantados muitos produtos hortícolas e frutícolas, como disse à Lusa Clímaco Ferreira da Cunha, em julho de 2014, quando lançou o livro “S. Jorge e as suas fajãs”.

“As fajãs eram de facto a despensa das pessoas de S. Jorge. A ilha é muito alta para produzir as sementeiras de batata, alhos e cebolas. Isso tudo era semeado e plantado nas fajãs”, afirmou.

Segundo disse então Clímaco Ferreira da Cunha, grande parte das fajãs da ilha “estão bem tratadas e cultivadas, continuando a despertar muito interesse” por parte da população local e também dos turistas.

Neste livro, Clímaco Ferreira da Cunha refere que é habitual, praticamente, toda a gente ter um bocadinho de terra nestes locais tradicionais, que passam de geração em geração.

Para o autor, as fajãs da Caldeira do Santo Cristo e das Almas são das maiores e mais conhecidas em S. Jorge, mas é a fajã de Além, no lado norte da ilha, a que mais preserva a identidade e características das tradicionais fajãs, já que aí as casas continuam a ser de pedra e o acesso só pode ser feito a pé.


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