Acidentes de trabalho e de automóvel penalizam lucros das seguradoras no primeiro semestre

Acidentes de trabalho e de automóvel penalizam lucros das seguradoras no primeiro semestre

 

Lusa/AO Online   Economia   10 de Set de 2014, 12:13

O lucro das seguradoras caiu 40% para 270 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, uma queda que sem resultados extraordinários seria de 8,8%, penalizada pelo agravamento da sinistralidade nos ramos de acidentes de trabalho e automóvel.

Segundo o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), Pedro Seixas Vale, se fossem excluídas as receitas extraordinárias realizadas no primeiro semestre de 2013, de cerca de 160 milhões de euros com a venda antecipada de carteiras no ramo Vida, os 270 milhões de euros de lucros alcançados no primeiro semestre deste ano comparariam com os 296 milhões alcançados na primeira metade de 2013.

Nos acidentes de trabalho, a taxa de sinistralidade ascendeu a 106%, cerca de oito pontos percentuais acima do seu nível no período homólogo, o que gerou um défice na exploração global do ramo de cerca de 28 milhões de euros, um agravamento de quase dez milhões em relação ao do período homólogo do ano anterior.

Já no ramo automóvel, a taxa de sinistralidade superou os 75%, mais sete pontos percentuais do que no primeiro semestre de 2013, subindo o rácio combinado acima dos 105%. O resultado do ramo caiu 67% em relação ao do período homólogo do ano anterior (para 18 milhões de euros) e seria já deficitário sem a componente financeira.

“Por virtude da melhoria da atividade económica há uma tendência para o aumento dos sinistros de trabalho e automóvel, ainda que felizmente em ambos os casos a gravidade dos acidentes não seja tão elevada”, explicou Seixas Vale.

Em contraste, a rentabilidade do ramo doença registou um progresso assinalável nos primeiros seis meses do ano, para cinco milhões de euros.

A componente financeira contribuiu para atenuar a queda do lucro das seguradoras nos primeiros seis meses do ano: “Beneficiou de um ambiente mais favorável nos mercados de capitais, em particular do mercado de dívida, com destaque para a redução nas 'yields' da dívida soberana portuguesa”, explica.

Em junho, o ativo total das seguradoras ascendia a 57,9 mil milhões de euros e capitais próprios de cerca de 5,4 mil milhões de euros.

No primeiro semestre, o setor segurador conseguiu reforçar o capital de solvência, com o rácio a subir em 20 pontos percentuais para 233% em relação ao registado no final de 2013, um nível que mantém o setor com um volume de capital mais de duas vezes superior ao legalmente exigido.

No mesmo período, o valor total da carteira de investimentos registou um crescimento de 7% face ao homólogo, para 53 mil milhões de euros, com os montantes investidos em obrigações a assumir a sua maior fatia (71% do total), tendo diminuído ligeiramente o seu peso face ao observado no período homólogo de 2013 (72%).

Em declarações à Lusa, Seixas Vale destacou que o volume de negócios do setor está a crescer, especialmente no ramo Vida, e, mais importante, inverteu a tendência de queda que se vinha a registar no ramo Não Vida, o que atribui à recuperação da atividade económica.

“Quando esta decresce, sente-se nestas áreas. Significa que está acompanhar a recuperação da atividade económica”, acrescentou.

O nível do emprego do setor tem-se mantido estável ao longo dos anos em torno dos 11.000 trabalhadores, o que se manteve no primeiro semestre “eventualmente com um pequeno acréscimo”, referiu o responsável.


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