Abandono dos Açores pela EasyJet é "revés" para o turismo dos Açores

Abandono dos Açores pela EasyJet é "revés" para o turismo dos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   23 de Mar de 2017, 15:40

O presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) lamentou hoje o abandono da rota Lisboa-Ponta Delgada pela companhia aérea de baixo custo EasyJet, considerando que é "um revés" para o turismo dos Açores.

 

“A presença das companhias ‘low cost’ nos Açores catapultou a importância na concorrência e gerou os pressupostos para os preços baixos que temos tido nas ligações aéreas com o resto do país. A perda desta multinacional é sem dúvida um revés para o turismo dos Açores e até para os açorianos na medida em que consolidavam os preços baixos”, afirmou Mário Fortuna, em declarações à agência Lusa.

O diretor da easyJet em Portugal, José Lopes, afirmou hoje, em Lisboa, que a companhia aérea de baixo custo vai deixar de operar a rota Lisboa-Ponta Delgada no final de outubro, dois anos após ter iniciado a operação nos Açores, explicando que a companhia não conseguiu entrar naquele mercado "com a oferta mínima de qualidade".

"Nós não saímos por o tráfego de Ponta Delgada estar a baixar - estava a crescer - mas, na nossa conjuntura, não conseguimos ter a oferta que queríamos, que era, no mínimo, ter dois voos diários. Não tendo essa capacidade preferi retirar e transformar essas rotas em rotas diárias [em outros destinos]", disse José Lopes, lembrando que a easyJet lutou três anos pela liberalização daquele mercado.

Para o presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, a easyJet foi "uma empresa instrumental no processo de liberalização das rotas e trouxe aos Açores uma notoriedade que não tinham antes".

“Esta companhia tem uma rede imensa de contactos ou de acesso a mercados pela Europa toda e é sem dúvida um elemento importante para qualquer destino. A saída da easyJet constitui, por isso, um revés significativo no nosso potencial de notoriedade futura e também num ambiente concorrencial que se estabeleceu nos Açores”, sustentou Mário Fortuna, numa reação à decisão anunciada hoje.

Mário Fortuna afirmou que "o turismo será sem dúvida afetado" com a saída da easyJet da rota Lisboa-Ponta Delgada (ilha de São Miguel).

"Não quer dizer que vamos ter evoluções negativas no futuro. O turismo há de continuar a crescer, mas poderá não crescer tanto como cresceria se mantivéssemos a presença desta empresa no mercado", considerou.

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada "também faz votos para que as circunstâncias que levaram a easyJet a sair dos Açores sejam revertidas e sejam criadas condições para que esta empresa volte a interessar-me pelo mercado dos Açores no futuro", salientou ainda.

Mário Fortuna defendeu, por isso, a necessidade de se "rever a situação do transporte aéreo nos Açores, analisar o que é que está a acontecer, o que pode acontecer no futuro".

"Tendo experimentado os benefícios a nível da liberalização do mercado do transporte aéreo nos Açores, sem dúvida, que a região não pode dispensar um bom contexto concorrencial que tem sido a base da grande parte do progresso do turismo nos Açores", referiu o responsável.

A operadora de baixo custo easyJet foi a primeira operadora a surgir no mercado, quando em março de 2014 se procedeu à liberalização das rotas para Ponta Delgada e Terceira, vindo a competir no mercado açoriano com a Ryanair.


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