A cada três segundos existe um refugiado forçado no mundo

A cada três segundos existe um refugiado forçado no mundo

 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   20 de Jun de 2017, 18:07

A ONU alertou que o deslocamento forçado atingiu níveis "sem precedentes" no século XXI, com uma pessoa a ser deslocada à força do local onde habita em cada três segundos.

O alerta foi emitido pelo diretor regional da Organização internacional para as migrações (OIM), Diego Beltrand, e o representante regional do gabinete do Alto comissariado da ONU para os refugiados (ACNUR), Michele Manca Di Nissa, no início da Conferência mundial dos povos “Por um mundo sem muros”, que se iniciou em Tiquipaya, centro da Bolívia.

“Em todo o mundo existem 65,6 milhões deslocadas à força, 22,5 milhões são refugiados e mais de metade são menores de 18 anos; 40,3 milhões são pessoas deslocadas internamente e 2,8 milhões são requerentes de asilo”, disse Manca.

O mesmo responsável sublinhou ainda que “em cada três segundos há uma nova pessoa que é deslocada à força no mundo”.

Manca Di Nissa recordou que hoje se celebra o Dia Mundial do Refugiado para render homenagem “ao valor e resiliência de milhões de pessoas e famílias que foram obrigadas a abandonar tudo devido à guerra, à perseguição e à discriminação”.

O representante regional do ACNUR sublinhou ainda a importância desta iniciativa num mundo “onde as fronteiras parecem fechar-se, as valas e muros parecem ser a resposta de alguns Estados aos grandes deslocamentos de migrantes e refugiados e em que o espaço humanitário tende a reduzir-se”.

“No mundo de hoje uma forma de garantir o ideal da cidadania universal consiste em assegurar que todo o ser humano possua uma cidadania e possa disfrutar dos direitos a ela associados”, acrescentou o italiano.

Beltrand, que representa neste encontro na Bolívia o secretário-geral da ONU, António Guterres, susteve que o mundo se encontra “num século de mobilidade humana sem precedentes”.

“Diz-se que uma em cada sete pessoas no mundo está em mobilidade humana, mas este périplo não é necessariamente agradável, não é um passeio, nem é um simples cruzamento de fronteiras, está cheio de dramas”, assinalou.

Para demonstrar a dimensão desta “tragédia”, Beltrand mencionou que mais de 14.000 pessoas morreram desde 2014 e apenas no Mediterrâneo, quando tentavam alcançar a Europa.

Atribuiu ainda as novas vagas de mobilidade humana a conflitos, desastres, degradação ambiental e em particular “às desigualdades entre o sul e o norte”.

Beltrand também recordou que a Assembleia geral da ONU em setembro que assinalou o caminho “em direção a um pacto global para uma migração segura, regular e ordenada”, e exprimiu o desejo que o debate na Bolívia traga “pistas e orientações do que em 2018 se espera ser a assinatura e aprovação desse pacto global”.


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