58% das universidades aplaudem reforma de Bolonha


 

Lusa/Ao On line   Nacional   10 de Mar de 2010, 05:38

Uma década depois da implementação do Processo de Bolonha, 58 por cento das universidades europeias consideram que a reforma foi "muito positiva" e apenas 0,1 por cento deu-lhe nota negativa, revela um estudo europeu.
 

A conclusão foi apurada no relatório "Trends 2010: Uma década de mudança no ensino superior europeu", publicado pela Associação de Universidades Europeias (EUA, na sigla em inglês), que tem analisado o impacto da reforma de Bolonha no ensino superior, ao longo da última década, em 46 países.

Com 373.002 estudantes no ensino superior no ano letivo de 2008/2009 em 136 instituições reconhecidas, 40 por cento das instituições de ensino superior portuguesas têm uma estratégia de aprendizagem ao longo da vida, estando ao mesmo nível do que a Dinamarca, Finlândia e Hungria, sendo que "mais de 80 por cento das instituições de ensino superior [europeias] desenvolve cursos de desenvolvimento profissional para adultos".

No que se refere ao reconhecimento de competências prévias não formais (experiência profissional, por exemplo), o relatório apurou que 12 países têm políticas nacionais nesse sentido e que outros 19 estão a desenvolver essas medidas.

O relatório conclui também que a implementação da estrutura Licenciatura/Mestrado foi "mais difícil" em áreas como "Medicina, Direito, Engenharia e Medicina Dentária". A avaliação deste tópico é variável de profissão para profissão.

Os autores do relatório consideram que "Bolonha atuou como agente catalisador para melhorar a qualidade do ensino": 77 por cento das universidades reviram os seus currículos em todos os departamentos no âmbito do Processo de Bolonha (contra 55 por cento em 2007).

Na área da empregabilidade, o estudo reconhece que "há ainda problemas (…) sobretudo ao nível da estrutura Licenciatura/Mestrado nos países que introduziram este ciclo pela primeira vez", porque "os empregadores não reconhecem totalmente esta nova qualificação".

"O Mestrado, nestes países, tende a permanecer o requisito básico de entrada no mercado de trabalho. Nos países em que a Licenciatura era a qualificação básica, o Mestrado traz valor acrescentado aos currículos dos graduados", lê-se no comunicado da EUA.

Para a década que agora se inicia, o relatório estabeleceu como desafios "melhorar a comunicação sobre as reformas para que as partes envolvidas (estudantes, académicos, funcionários e a sociedade) percebam o propósito e os benefícios de Bolonha" e criar "maior ligação entre a Área Europeia de Ensino Superior e a Área Europeia de Investigação para garantir uma política de aproximação coerente e alcançar os objetivos de uma Europa do conhecimento".

Finalmente, os autores do estudo consideram que os governos e as instituições "precisam de fazer mais para promover a mobilidade e retirar muitos obstáculos que atualmente existem, dada a crescente importância da internacionalização".

O relatório "Trends 2010: uma década de mudança no ensino superior europeu", redigido por Andrée Sursock e por Hanne Smidt, baseia-se num questionário feito em 821 universidades e 27 associações universitárias em 46 países.

O estudo - que pretende marcar o lançamento oficial da Área Europeia de Ensino Superior e encerrar a primeira fase da reforma de Bolonha, que se iniciou em 1999 - vai ser apresentado quinta e sexta feira, em Viena (Áustria) e Budapeste (Hungria), onde vai decorrer uma conferência ministerial.


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