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Ponta Delgada Cidade cosmopolita

José Manuel Bolieiro /

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É a dar e a receber, a entrar e a sair, que nos tornamos universais. Somos o que fomos e o que queremos ser. Somos de um lugar e de lugar nenhum, mas a nossa origem é que nos faz. É assim com as pessoas, com a cultura e com a história. Mas é também assim com a nossa rua e com a nossa cidade. A cidade é a sua gente, as suas ruas, os seus edifícios e a sua história. Mas é também os outros, os que vêm de perto e de longe, com os mesmos e outros costumes. E foi dessa vivência que forjámos a nossa idiossincrasia. Ponta Delgada, entre a Europa e a América, tem sido porta de entrada e de saída. Nós que saímos, levamos a alma da cidade. Nós que voltamos, trazemos a visão do mundo diferente. Nós que ficamos, recebemos, de alma aberta, os ensinamentos dos que nos visitam, com outros costumes, que sabemos assimilar. A história de Ponta Delgada é toda essa interculturalidade. É uma cidade cosmopolita. No seu património edificado, tem cravadas as raízes das suas origens, mas tem, também, os galhos da sua universalidade e modernidade. E tudo isso é orgulho de quem é deste lugar. Somos responsáveis pela preservação dessa história, desse modo de ser e desse património construído. Neste tempo de receber a nossa gente, que volta, e outra gente, que nos visita, é tempo para uma reflexão e um alerta. Nós que passamos na cidade, orgulhosos dessa história, também inscrita nas suas ruas e edifícios, não podemos ser indiferentes ao abandono e à ruína de alguns. Aos seus proprietários, responsáveis pelo que é seu e pela história que é de todos, está lançado um nobre compromisso - preservar e qualificar a nossa cidade cosmopolita. Elevar a sua história e abrir o horizonte do seu futuro. Se somos universais, então somos como nos observam e nos apresentamos.•