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Cruzeiros sem grande impacto no comércio em Ponta Delgada

Regional | 2010-03-21 10:32

A caminho da Europa ou rumo às Caraíbas, cerca de meia centena de navios de cruzeiro, com 66 mil turistas a bordo, fazem este ano escala em Ponta Delgada, mas o seu peso na economia da cidade é pouco significativo.

"Os turistas entram nas camionetas na doca para viagens organizadas ao pontos turísticos mais importantes de S. Miguel e regressam à cidade na altura do barco partir", lamentou uma vendedora da Casa Regional Ilha Verde, que vende artesanato e artigos para turistas na baixa de Ponta Delgada, em declarações à Lusa.

Na Loja de Artesanato, que tem dois estabelecimentos no centro histórico, Susana Carvalho expressou a mesma opinião, salientando que os poucos turistas que ficam na cidade "dão uma vista de olhos e andam".

Na maioria dos casos, os navios de cruzeiro que passam por S. Miguel chegam de manhã cedo e partem ao final da tarde e os turistas que trazem "veem os pontos mais interessantes da ilha e lancham o que trazem do barco".

O proprietário do Capote e Capelo, outra loja dedicada à venda de artigos para turistas, apesar de considerar que, "quanto mais gente vier melhor", também admitiu não ter ganhos especiais com a escala de navios de cruzeiro.

De igual modo, para as empresas de aluguer de viaturas os cruzeiros estão longe de constituírem um grande negócio, uma vez que o pouco tempo que os turistas passam em S. Miguel é organizado em excursões de grupos.

"Sempre se alugam três a quatro carros por barco", frisou Carlos Calado, do Grupo Ilha Verde.

Este quadro faz com que os comerciantes contactados pela Lusa tenham afastado a possibilidade de abrir as lojas ao domingo sempre que se encontre um navio de cruzeiro na cidade, alegando que são mais os encargos do que os benefícios.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD), Mário Fortuna, confirmou à Lusa que é essa a indicação recebida dos associados, valorizando a presença dos Açores na rota dos cruzeiros sobretudo pela sua vertente promocional.

"Há o registo da experiência de um dia na ilha", afirmou, salientando que a publicitação das escalas de cruzeiros na página da CCIPD resulta da importância de informar os empresários com antecedência sobre a presença de grupos numerosos de eventuais clientes.

Para receber estes navios em Ponta Delgada, o governo regional promoveu a construção de um cais de cruzeiros, integrado nas Portas do Mar, que inclui lojas e zonas para exposições e concertos, num investimento global superior a 60 milhões de euros.

Mário Fortuna admitiu que as características que revela atualmente a escala de navios de cruzeiro na cidade não perspetiva a rentabilização deste investimento, que também serve os navios de passageiros que viajam entre as ilhas do arquipélago no verão.

Este ano, a escala de navios de cruzeiro em Ponta Delgada tem uma maior concentração em abril, com 19 escalas previstas, mas prolonga-se até 30 de dezembro.

Lusa/AO Online

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3 Comentário(s)

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Antonio Manuel Macedo Silva 2010-03-21 21:57:02
Esta situação de os turistas gastarem pouco em restaurantes e no comercio em geral não é um problema de Ponta Delgada. Regra geral com o serviço disponibilizado dentro dos barcos as compras que se fazem, resumem-se a alguns artigos regionais e pouco mais.
Acho que nao podemos pensar que os turistas que desembarcam em Ponta Delgada vao logo para os restaurantes e snack-bares consumir e que vão fazer compras nos estabalecimentos da cidade.
Ao turista que nos visita temos é que oferecer hospitalidade e um sorriso para despertar a vontade de um regresso e aí sim com a permanencia em hoteis e frequencia de restaurantes e outros serviços disponiveis.
Foi assim que a Madeira chegou ao ponto em que está em que ao longo dos anos consegui cativar tantos forasteiros.
LEOPOLDINO GODINHO FLORES 2010-03-21 22:09:15
O comentário de António MM Silva, tem todo o enquadramento do problema TURISMO. De facto só com promoção se conseguem mais pessoas. E só COM PESSOAS se cria uma verdadeira industria de Turismo, que ainda não existe. Onde estão as lowcoast, para trazer pessoas a custos baixos, para encher hoteis (estão vazios...) para procurar restaurantes, que têm
muito a melhorar. Esqueçam o TURISMO DE QUALIDADE e aprendam com a Madeira, e outras regiões que foram também periféricas.
Leopoldino Flores
Nuno 2010-03-22 10:07:18
Claro. como é lógico, em 1º lugar o tipo de turistas que chega de cruzeiro aos açores sao tipicamente pobres, basta sao subsidiados pelo estado deles para virem. Em 2º lugar, mesmo que eles queiram comprar alguma coisa com a qualidade de lojas que nos temos na nossa baixa, antes nao comprar nada. Nao melhorem nada nao e continuem assim que vao longe.......................
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