Bispo açoriano no Brasil de regresso às origens

Regional /
Bispo D. David Dias Pimentel

2229 visualizações   

D. David Dias Pimentel, o bispo da Diocese de São João da Boa Vista no Estado de São Paulo, no Brasil, desloca-se ao Nordeste, a sua terra natal, para presidir às festas concelhias que se realizam no próximo fim-de-semana. O AO online entrevistou-o.


 

Como é voltar à sua terra natal, que expectativas tem?

É sempre uma expectativa muito grande, pois já faz quatro anos que estive aqui pela última vez.

Agora tive a oportunidade de estar uns dias no continente português e pude observar como os Açores são comentados e divulgados como um dos lugares mais bonitos de Portugal. Eu fiquei muito feliz, pois é sinal que o desenvolvimento aqui vai indo bem. Com certeza que a propaganda ajuda muito o desenvolvimento todo. Até em termos de indústrias eu vi algumas propagandas. Considero que isto é algo muito importante. Fico feliz por ver que os Açores são reconhecidos, sobretudo a ilha de São Miguel.

Para além disso, de com quem eu conversei sempre ouvi boas referências. Em geral quando dizia às pessoas que ia aos Açores elas respondiam-me que era um local muito bonito. Desta forma, tudo isto me deixa orgulhoso da situação em que os Açores estão. Assim sendo, o arquipélago está crescendo, melhorando para o bem do próprio local.

Fale-me um pouco sobre o Nordeste?

O Nordeste é o pedaço do meu coração. Foi o local onde nasci. Eu lembro-me sempre desta terra e tenho recordações muito bonitas do Nordeste. Ainda me recordo de muita coisa, porque saí daqui para o Brasil com 19 anos. Então já era bem crescido. Embora desde os 14 anos estivesse a estudar no continente português, vinha sempre de visita ao Nordeste nas minhas férias.

Deste modo, tinha muito contacto com o Nordeste, que foi o local aonde me criei e onde tinha toda a minha família. O Nordeste é um lugar que tem um espaço grande no meu coração.

Que tipo de recordações tem do concelho do Nordeste?

Eu acredito que toda a gente tem um carinho especial pelo local onde nasceu. Mas, para mim, depois de ter voltado e ver todo o desenvolvimento que houve no arquipélago, apaixonei-me pelo pedaço aonde nasci.

o Nordeste é um lugar florido e toda a estrutura básica que foi realizada não só neste concelho como na ilha toda impressionou-me. Quando saí daqui para o Brasil não tínhamos luz eléctrica, o asfalto nas ruas ou água canalizada... Era uma vida difícil, mas era o que a gente conhecia e criámos amor a esta vivência, porque vivíamos bem e felizes.

Antigamente o nosso frigorífico era a manteiga onde se guardava a carne o ano inteiro e a água tínhamos que ir buscar nas fontes públicas, para abastecer a casa, para o banho, para a comida, para beber e para tudo o resto.

Mas agora com todo este progresso que vejo na casa dos meus primos e conhecidos, que continuam morando aqui, há um conforto bem diferente de antes.

Para mim, esta ideia de um Nordeste menos desenvolvido já mudou bastante porque já estive aqui três vezes. É uma alegria muito grande poder voltar aqui.

Como é que sai do Nordeste e chega a bispo da Diocese de São João da Boa Vista no Brasil?

Eu já estava no seminário no continente, mais propriamente em Fátima, quando a minha família emigrou para o Brasil. A minha mãe foi criada no Brasil e o meu pai já lá tinha ido duas vezes. Então como as coisas financeiramente não estavam bem aqui, os meus irmãos propuseram aos meus pais que emigrassem para o Brasil, porque lá teriam melhores condições de vida. De facto eles foram e eu fiquei sozinho. Mas quando terminei o quinto ano, fui juntar-me a eles e no Brasil continuei os meus estudos.

Em 1969 ordenei-me sacerdote. Depois em 1996 fui nomeado bispo, primeiramente como bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte, em Minas Gerais, ajudando o Cardeal D. Serafim Fernandes. Mais tarde, voltei para o Estado de São Paulo para assumir a Diocese de São João da Boa Vista. Sou Bispo desta Diocese há mais de oito anos, desde o início de 2001.

Que mensagem gostaria de deixar aos açorianos?

Eu quero deixar uma mensagem de muita alegria e de muita esperança. Espero que os açorianos saibam aproveitar bastante quilo que a terra está oferecendo e ao mesmo tempo mantenham a simpatia. Pois é isso que faz com que os açorianos sejam conhecidos não só no continente como em todos os lugares. Este é um povo acolhedor, simples, bom e com uma riqueza muito natural para acolher quem vem visitar. Deste modo, os Açores são uma estância turística onde se pode usufruir daquilo que estes têm.