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Acordo Ortográfico "não vai segurar a língua"

Nacional | 2009-07-07 16:51

O poeta Wilmar Silva, que sexta-feira e sábado apresenta em Famalicão a colectânea de poesia em português, em livro e DVD, "Portuguesia", afirma que o Acordo Ortográfico não irá fixar para sempre a Língua Portuguesa.

"O Acordo Ortográfico não vai segurar a força natural da língua, pois esta está em permanente mudança, o Português que falamos hoje não será o que se falará daqui a 50 ou 100 anos", disse o poeta à Lusa.

Wilmar Silva, que desde 2000 investiga poetas de língua portuguesa, afirmou à Lusa que "é radicalmente a favor do Acordo pois unifica a grafia”.

“Mas neste mesmo raio de pensamento, entendo que o Acordo não vai segurar a força natural da língua", sublinhou.

"As línguas - acrescentou - sejam elas quais forem, estão em permanente metamorfose, em mudança".

Para este investigador, residente em Minas Gerais (Brasil), se "só há um Nobel de Língua Portuguesa é porque esta não ocupa um espaço de maior hegemonia no contexto do mundo".

Em Vila Nova de Famalicão, na Casa-Museu Camilo Castelo Branco, sexta-feira e sábado, será apresentada a colectânea que reúne poemas de 101 poetas e um DVD de duas horas, com o registo feito por Wilmar Silva dos poetas "no seu ambiente", a dizerem os seus poemas.

Relativamente ao DVD explicou que se trata de "um vídeo/poema de duas horas gravado in loco, registando a diversidade das vozes e sotaques".

Wilson Silva considera que "não há uma língua portuguesa", mas sim "várias línguas portuguesas, mesmo em Portugal, e em todo o mundo português e noutros espaços de influência lusófona".

Referindo-se ao seu projecto, Wilson Silva afirmou que pesquisou no Brasil, designadamente no Estado de Minas Gerais, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Portugal, onde se deslocou para encontrar os poetas e conhecê-los.

"É preciso ir, não ficar só nos grandes centros, mas ir para o interior", disse.

Wilson Silva editou, em 2005, a antologia de poetas portugueses e de Minas Gerais, intitulada "O Achamento de Portugal".

O investigador afirmou à Lusa que se interessa "é pelos poetas vivos, pensar a contemporaneidade na produção vasta, híbrida e diferente que há na Língua Portuguesa".

Em Vila Nova de Famalicão, a poesia será pretexto para falar "da literatura, da política editorial e também do Acordo Ortográfico, pois a poesia é o espelho crítico da sociedade e dá para falar de muita coisa".

Nos dois dias no auditório da casa onde Camilo Castelo Branco viveu os seus últimos anos , em S. Miguel de Seide, além da apresentação da antologia em livro e do DVD serão realizadas cinco mesas-redondas com poetas portugueses, brasileiros, guineenses, cabo-verdianos e angolanos, e haverá recitais pelos próprios autores.

O projecto de investigação liderado por Wilson da Silva, também ele poeta, intitula-se "Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética" e procura, a partir da poesia contemporânea escrita em língua portuguesa, "chegar sempre a territórios de reflexão sobre a cultura portuguesa que se expandiu a todos os continentes".

Wilson Silva, que dirige o projecto "Terças poéticas" no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, conversou em Portugal com 37 poetas, alguns já consagrados, no Brasil com 38, 18 na Guiné-Bissau e sete em Cabo-Verde.

Lusa/AO Online

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