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Especialista admite "pequenas cidades no mar" dentro de 30 a 40 anos

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O presidente da Companhia Portuguesa de Culturas Marinhas (NECTON), Vítor Verdelho Vieira, defendeu esta quarta-feira que dentro de 30 a 40 anos vai haver "cidades no mar", tanto em Portugal como noutros países do mundo.
 

"Essas cidades surgirão obrigatoriamente, face à necessidade de proteger os oceanos, que é um desígnio do planeta. E para os proteger vai ser preciso ter alguém lá. Daqui a 30 ou 40 anos, ou mesmo antes, não tenhamos dúvidas de que vai haver cidades no mar", afirmou o responsável, em declarações à agência Lusa.

Vítor Vieira acrescentou que o "timing" da criação das cidades no mar depende apenas da decisão política.

"Mas quanto mais cedo, melhor. Os milhares de barcos que passam ao longo da costa e poluem as águas, ou a pesca desenfreada, sem qualquer controlo, são algumas das grandes ameaças para o mar. Há que pôr lá gente, em permanência, a proteger os nossos oceanos, antes que seja demasiado tarde", sustentou.

Vítor Vieira já se tinha referido à criação de "cidades oceânicas" na sessão do Fórum Portugal de Verdade, promovido pelo PSD, que decorreu segunda-feira em Viana do Castelo, sob o tema "O mar: desafio estratégico para Portugal" e em que esteve presente Manuela Ferreira Leite.

Segundo Vítor Vieira, em Portugal "há condições" para criar oito cidades no mar, em zonas onde existem portos.

"No início, vão ser zonas francas", explicou o responsável, acrescentando que posteriormente "vão ter que ter carta de foral", para se assumirem como cidades.

Disse ainda que essas cidades serão auto-suficientes em termos energéticos, aproveitando a energia eólica, solar e termodinâmica e terão uma ligação a terra por fibra óptica, através de cabo submarino.

Para a criação destas cidades em Portugal, Vítor Vieira considerou ser indispensável que "as dez maiores empresas nacionais estejam envolvidas" no projecto.

O deputado do PSD José Eduardo Martins questionou a oportunidade de criação destas cidades no mar, considerando que elas poderão contribuir para a total desertificação do interior, mas Vítor Vieira desdramatizou.

"Não vão ser megacidades. Serão cidades pequenas, com mais ou menos 8000 habitantes. Serão quase pólos tecnológicos, para estudar e proteger os recursos marinhos de uma determinada região", sustentou.