Açoriano Oriental
Tourada a corda na ilha Terceira touros

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Paulo Estevão do PPM explica a iniciativa da sorte de varas nos Açores

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Hélder Silva do PS sobre a iniciativa da sorete de varas nos Açores

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Artur Lima, PP - sorte de varas nos Açores

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Aníbal Pires, PCP - com opinião contrária sobre sorte de varas

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Zuraida Soares espera bom senso para sorte de varas não passar no Parlamento

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Sorte de varas promete dividir Assembleia

Regional | 2009-04-07 11:52

Depois de anunciar que iria apresentar ainda esta semana na Assembleia Regional, uma iniciativa legislativa para implementar a sorte de varas na Região, Paulo Estêvão adiantou ao Açoriano Oriental que prefere por agora esperar algum tempo para que a iniciativa surja de um grupo de deputados, tal como aconteceu em 2002. (Com ficheiro áudio)
A decisão do deputado do PPM foi tomada após uma reunião na Terceira onde participaram vários deputados e personalidades que defendem a introdução desta prática no arquipélago.

Paulo Estêvão esclarece que lhe foi solicitado “que aguardasse e que se fizesse um diploma que não terá um cunho partidário”. Por isso, salienta o monárquico, o diploma “será apresentado por um conjunto o mais alargado possível de deputados, para evitar a partidarização desta questão e evitar ainda que algum partido possa tirar dividendos desta iniciativa”. Por agora, esse documento conjunto está a ser preparado e deverá ser conhecido ainda este mês.

Recorde-se que a sorte de varas já foi aprovada no parlamento açoriano em 2002, mas o diploma acabou por ser vetado pelo Ministro da República e enviado para o Tribunal Constitucional, que o considerou inconstitucional. O diploma voltou ao parlamento açoriano, onde foi reconfirmado mas acabou novamente vetado pelo Ministro da República. A proposta foi assim aprovada e reconfirmada pela maioria dos deputados, mas sem o consenso partidário. Na primeira votação, o diploma passou com os votos favoráveis de quinze deputados do PS, nove do PSD e dois do PP, com os votos contra de nove parlamentares socialistas, dois sociais-democratas e dois comunistas, e a abstenção de um deputado do PS e de três do PSD. Depois de vetado, o diploma voltou a ser confirmado na Assembleia mas com uma votação diferente da inicial: vinte e três deputados do PS, onze do PSD e dois do PP votaram a favor, tendo havido cinco socialistas, dois sociais-democratas e dois comunistas que votaram contra, para além da abstenção de um deputado do PS e de quatro do PSD .

Actualmente, o cenário de divisão deve manter-se nos grupos parlamentares. Do lado dos socialistas, o actual líder parlamentar lembra que esta questão já foi debatida a nível interno por duas vezes e nunca houve consenso. Por isso, Hélder Silva não antevê  “uma alteração desse quadro e muito provavelmente o grupo parlamentar estará dividido”.

No caso de haver propostas legislativas concretas, o líder parlamentar socialista afirma que “o mais provável é que os deputados tenham liberdade de voto, dado tratar-se de uma matéria que é de consciência”.

Já o PSD prefere por agora não falar sobre este assunto. António Soares Marinho, líder parlamentar,  justifica o silêncio porque a questão ainda não foi abordada internamente.

A terceira maior bancada parlamentar na Assembleia Regional vai ter liberdade de voto. O líder parlamentar dos populares entende que “nestas matérias não deve existir disciplina de voto. Acho que é uma das matérias onde se deve dar liberdade de voto aos deputados para livremente expressarem a sua opinião”.

Aníbal Pires, deputado do PCP, embora reconheça que “de facto a Ilha Terceira e algumas ilhas do Grupo Central têm uma grande tradição e cultura pela festa taurina há que respeitar, preservar, divulgar e até acarinhar”. Já no que diz respeito à introdução de outras componentes deste tipo de espectáculo, “nomeadamente aqueles em que se vai exercer ainda uma maior violência e causar um maior sofrimento ao animal que é objecto do espectáculo, parece-nos profundamente errado”.

Opinião idêntica tem Zuraida Soares: a líder parlamentar do Bloco de Esquerda refere que “em termos pessoais, tenho que dizer-lhe que votarei contra, em qualquer circunstância, e participarei em todas as formas de manifestação, em termos da sociedade civil, contra esta proposta de decreto legislativo regional”.
A líder do Bloco entende a legalização da sorte de varas como “um atraso civilizacional marcante”.

Hélder Blayer

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1 Comentário(s)

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cristina soares vieira 2009-04-07 14:44:21
É, de facto, muito triste que alguns deputados dediquem tanto tempo e esforço em retroceder civilizacionalmente. Os Açorianos não terão problemas reais que necessitem ver resolvidos? Quando em todos os países se vê uma preocupação crescente em garantir direitos aos animais, alguns deputados acham que o que é preciso é introduzir novas práticas de crueldade e violência. Interrogo-me sobre o que se seguirá na agenda parlamentar: liberdade para queimar bruxas, apedrejar mulheres adúlteras, empalar gatos, seviciar cadastrados nos pelourinhos? E depois admiram-se da má imagem actual dos políticos. Valha-nos Deus.
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