Açoriano Oriental
João Lima, director da Escola de Novas Tecnologias dos Açores (ENTA)

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Escola de Novas Tecnologias com 96% de empregabilidade

Regional | 2009-01-05 22:10

Cursos de especialização tecnológica ligados à prática e às empresas têm garantido emprego em tempo de crise. Em entrevista ao Açoriano Oriental Online, João Lima, director da Escola de Novas Tecnologias dos Açores (ENTA), explica porquê

Qual o papel da Escola de Novas Tecnologias dos Açores e que importância representa para a Região?

A Escola de Novas Tecnologias dos Açores (ENTA) é a única escola tecnológica da Região que dá formação até ao nível IV, ao contrário das escolas profissionais, que se ficam pelo nível III, equivalente ao 12º ano. As escolas tecnológicas nasceram para dar resposta à falta de quadros médios nas áreas da tecnologia, dotando os alunos com nível III, ou com o 12º ano de escolaridade, de Cursos de Especialização Tecnológica (CET), que têm algumas mais-valias, das quais se destacam o acesso facilitado ao Ensino Superior, a equivalência a cadeiras de cursos superiores, uma elevada taxa de empregabilidade - que ronda os 96 por cento - e o reconhecimento do nível IV em toda a União Europeia. A ENTAé uma escola muito importante porque aposta na especialização em áreas tecnológicas cada vez mais importantes na sociedade actual, como gestão da qualidade, tecnologias da informação, gestão de redes, e na área do e-learning - formação à distância.

Qual é a actual oferta de cursos?

A escola tem apostado no desenvolvimento da formação para o controlo de qualidade alimentar, uma vez que há prerrogativas europeias exigentes a este nível, e a Região tinha - e ainda tem - falhas neste sector: toda a indústria que trabalha com produtos alimentares tem obrigatoriamente de ter um controlo de qualidade. Para além disso, foram abertas outras áreas de formação: electrónica, comunicação informática e gestão de redes certificada pela Cisco, que consiste em programas específicos reconhecidos em quase duzentos países. No ano passado abrimos novas áreas de formação: gestão da qualidade enquanto processo de certificação das empresas em geral e desenvolvimento de software, porque a evolução tecnológica exige novas formas de produção de conteúdos. Aliás, esta é uma área de futuro: podemos estar aqui a trabalhar para todo o mundo. Tivemos já uma experiência muito interessante com um grupo de formandos que, depois de estagiar no Canadá, está a trabalhar na Globe Star Systems, no Concelho da Lagoa, desenvolvendo software para a Europa, Estados Unidos e mesmo para o Japão.

Há a preocupação de criar cursos com base nas necessidades do mercado?

Esse é um requisito obrigatório! Para abrir um curso é necessário enviar uma candidatura para o Ministério da Economia, em que um dos critérios para aprovação é o reconhecimento da falta de qualificação em determinada área, por parte das empresas privadas. Só podemos abrir um curso se houver provas de que o mercado precisa dele.

Qual tem sido o feedback das empresas, relativamente aos estagiários e aos técnicos formados na ENTA?

Tem sido muito bom. A taxa de empregabilidade mostra isso mesmo. Infelizmente não temos capacidade para responder às necessidades das empresas, no que diz respeito à quantidade de formandos. De qualquer forma, não formar quantidades é ‘ponto de honra’ da escola, uma vez que o nosso mercado é relativamente pequeno e isso poderia criar algum desemprego. Para além disso, quando há muita quantidade a qualidade tende a baixar: o nosso objectivo é formar poucos, mas bons, de maneira a que o mercado os possa absorver.

Como tem sido a evolução do número de alunos?

A escola tem já quinze anos e nunca tivemos tantos alunos como agora - cerca de 160. Nos últimos quatro anos duplicámos a capacidade de resposta da escola. Até hoje, foram formados pela ENTA cerca de 350 técnicos.

A Universidade dos Açores tem cursos superiores na área das tecnologias. Quais as diferenças em relação à ENTA?

No que diz respeito à especialização, penso que a ENTA tem uma mais-valia fundamental: tem um curso eminentemente ligado à prática e às empresas, enquanto a universidade dá uma formação mais teórica. Para além disso, a ENTA fez um grande investimento em laboratórios e equipamentos de ponta que dão aos alunos o ‘saber fazer’. Se a pessoa quer tirar um curso mais prático, tendo em vista a empregabilidade imediata, deve procurar uma formação de nível IV, uma vez que isto não a impede de tirar uma licenciatura depois... antes pelo contrário.

João Cordeiro

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