Trabalhadores dos centros comerciais têm ainda mais razões para fazer greve


 

Lusa / AO online   Economia   21 de Nov de 2010, 17:38

Vínculo precário, flexibilidade de horários e falta de pagamento de horas extraordinárias são algumas das ilegalidades cometidas contra os trabalhadores dos centros comerciais, que lhes dão motivos adicionais para se juntarem à greve.

Esta foi a mensagem que o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP) transmitiu hoje em ações de mobilização para a greve geral nos centros comerciais Colombo e Vasco da Gama, em Lisboa.

Um pequeno grupo de sindicalistas juntou-se, esta tarde, em frente ao Colombo, para se inteirarem das condições de trabalho nas lojas daquele centro e distribuir panfletos explicando as razões para aderir à greve.

António Santos, é dirigente do CESP e também trabalhador de uma das lojas do Colombo e falou à Lusa sobre o seu “próprio contacto diário” com condições de trabalho precárias e sobre “os grandes atropelos” aos direitos destes funcionários.

Os principais problemas, apontou, prendem-se com horários de trabalho feitos à margem da lei, “em cima do joelho, que não permite conciliar a vida profissional e familiar, o desrespeito pelo pagamento de horas extraordinárias, “mesmo numa altura em que se trabalham muitas horas suplementares, ou até a existência de lojas “onde as pessoas não se podem ausentar para satisfazer as necessidades básicas e são forçados a esperar pela troca de turnos para poder ir à casa de banho”.

O dirigente do CESP salientou que “os sindicatos tentam estar sempre junto dos trabalhadores” e denunciar à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) o máximo de situações possíveis, mas os meios são insuficientes.

“Notamos que há falta de capacidade da ACT intervir porque não tem meios para ir a todas as lojas, não podem ter um inspetor para cada piso”, considerou, acrescentando que a missão do CESP passa também por informar os trabalhadores “para que eles próprios também não prescindam dos seus direitos em vez de esperarem por uma ACT ou pelo sindicato”.

António Santos afirmou que os trabalhadores estão sensibilizados para a importância da greve geral de 24 de novembro porque se ressentiram “com as mexidas do abono e o aumento da carga fiscal”, que “atentam diretamente contra quem trabalha”.

“As pessoas tem de mostrar o seu desagrado”, apelou o sindicalista.

Também o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, que participou na iniciativa promovida pelo CESP se mostrou confiante no sucesso da paralisação porque “os objetivos da greve estão a ser assumidos pela generalidade dos trabalhadores e da sociedade”.

O sindicalista afirmou que nos dois centros comerciais que visitou encontrou “grande disponibilidade das pessoas para dialogarem, aceitarem propaganda e para desenvolverem conversa sobre as causas” da situação que está criar dificuldades aos trabalhadores”.

“Há uma grande sensibilidade dos trabalhadores. Claro que há muitos que estão na precariedade absoluta, há chantagens sobre eles, mas vamos ter uma enorme greve geral”, concluiu.


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