Trabalhadores do INE falam em "aproveitamento político" dos dados do desemprego


 

Lusa/AO Online   Economia   4 de Ago de 2015, 07:25

A Comissão de Trabalhadores do INE diz que está a ser feito um "aproveitamento político" dos dados sobre desemprego e alerta para "situações de interpretação abusiva" da informação devido ao aproximar de eleições.

“A Comissão de Trabalhadores do Instituto Nacional de Estatística [INE] expressa o seu repúdio pelo aproveitamento político que tem sido feito da informação produzida pelo INE, pondo em causa a credibilidade e independência da instituição e dos seus trabalhadores”, lê-se no comunicado enviado às redações, a propósito da polémica em torno dos dados do desemprego e das reações tanto da parte do Governo como dos partidos políticos.

A semana passada, o INE divulgou que a taxa de desemprego foi de 12,4% em junho e reviu significativamente para baixo - em 0,8 pontos percentuais - a taxa estimada para maio. Os valores de maio estão a provocar mal-estar entre o Governo e o INE, e chegaram ao debate político, depois de a primeira estimativa do desemprego de maio ter apontado para um aumento do desemprego, ao passar para 13,2%, tendo afinal sido revisto esse valor para 12,4%, o mesmo que foi apurado para o mês de junho.

Ainda na nota de imprensa, os trabalhadores do INE lembram que o instituto é uma entidade independente e “prementemente escrutinada”, tanto a nível nacional como internacional, e recordam que as estatísticas mensais do desemprego são provisórias “produzidas segundo um modelo rigorosamente definido, assente em metodologias consistentes e validadas a nível internacional”.

Sobre as estatísticas provisórias, lembram que – como o nome indica – estas não contêm “dados estatísticos definitivos”, o que pressupõe que haja revisões em momentos posteriores em caso de informação adicional que as torne "mais completas e robustas”.

Quanto ao conceito de desemprego, que várias vezes provoca debate público, dizem que a “utilização de um conceito alternativo inviabilizaria a comparabilidade das estatísticas do mercado de trabalho com os restantes Estados Membros”, tendo em conta que este é um conceito harmonizado a nível internacional.

“As afirmações que têm sido proferidas por intervenientes de diferentes quadrantes políticos são reveladoras de um profundo desconhecimento técnico e de uma falta de literacia estatística que a CT não pode deixar de lamentar, considerando o grau de responsabilidade de quem as emitiu e os efeitos que, por esse motivo, são gerados na opinião pública”, refere no comunicado a Comissão de Trabalhadores do INE, que lamenta que haja “aproveitamento político” do trabalho feito pelo instituto “colocando em causa a credibilidade do INE e a competência técnica e o profissionalismo de quem trabalha na instituição”.

Os trabalhadores terminam a nota de imprensa a alertar para “a forte probabilidade de situações de interpretação abusiva da informação se repetirem, considerando em particular o período eleitoral que se aproxima”, e garantem que o trabalho de produção estatísticas do INE não é feito “à medida de interesses sectoriais ou partidários, nem condicionado por calendários políticos”.

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