Trabalhadores da Manutenção Militar convocam greve contra extinção de postos de trabalho


 

Lusa/AO online   Nacional   17 de Abr de 2015, 15:14

O Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas convocou uma greve e uma manifestação para o próximo dia 24 em frente à sede da Manutenção Militar, em Lisboa, para exigir a integração de todos os trabalhadores na nova empresa.

 

Num comunicado que está a distribuir hoje aos trabalhadores da Manutenção Militar, o Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa (STEFFAS) "lamenta e condena veementemente a forma desumana, bizarra e mesmo histriónica como foram notificados os trabalhadores da Manutenção Militar acerca da pretensão em exclui-los ou inclui-los na nova empresa".

Segundo o sindicato, as notificações foram feitas por email, "já a altas horas da noite".

"Se a intenção foi deixar alguns trabalhadores sem dormir a noite toda, por terem tomado conhecimento, ao ler uma mensagem num ecrã, de que são mandados embora depois de décadas ou, em muitos casos, de uma vida quase inteira dedicada à MM, então, foi plenamente conseguida. Fora esta, não se vislumbra qualquer outra utilidade para este ato", afirma o comunicado.

Quanto aos trabalhadores notificados de que passarão para a nova empresa - MM-Gestão Partilhada, EPE -, o sindicato afirma que "não está claro de que forma ficam", lamentando que a informação enviada inclua um "arrazoado impercetível acerca de reestruturações" e que contradiga o que afirmam ter sido assegurado numa reunião com a secretária de Estado da Defesa.

Num outro comunicado emitido na segunda-feira, o sindicato denunciava a "destruição de mais de 120 postos de trabalho" e a "grande consternação e ansiedade" gerada "neste estabelecimento fabril do Exército com mais de cem anos e que atravessa agora um processo de extinção desencadeado pelo atual Governo".

O sindicato recorda que a Manutenção Militar "assegura o fornecimento de víveres, géneros alimentícios e alimentação confecionada a todo o Exército Português, além da gestão de todas as messes deste Ramo das Forças Armadas", tendo o diploma que dita a sua extinção sido publicado em janeiro e o que nomeia a administração da nova empresa no início de março.

Além da extinção de mais de 120 postos de trabalho, o sindicato refere o encerramento das sucursais/delegações da MM no Porto (que funcionava desde 1937, com a extinção de 27 postos de trabalho), Coimbra (a operar desde 1899, 11 trabalhadores), Évora (14), Açores e Madeira (8), tornando o Entroncamento, com redução "drástica" de pessoal, "o único ponto de abastecimento para todo o Exército", juntamente com a sede, em Lisboa.

No caso de Évora, com o encerramento em setembro último, os trabalhadores foram integrados na messe militar daquela cidade, que vê agora eliminados 22 dos seus 55 postos de trabalho, adianta.

"Ainda mais brutal é a redução prevista para a sucursal do Entroncamento" (que passa a ser designada por Centro de Operações do Entroncamento), acabando com 33 dos atuais 53 postos de trabalho, refere.

Também na sede, em Lisboa, serão dispensados 21 trabalhadores, afirma o sindicato.

"O pesado mau ambiente que se vive na instituição é descrito pelos próprios trabalhadores como um grande desrespeito por quem tem décadas de serviço leal ao Exército e ao Estado Português", acrescenta.

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