Touro abatido ilegalmente no Alentejo

Touro abatido ilegalmente no Alentejo

 

Lusa/AO Online   Nacional   8 de Set de 2012, 20:31

Um touro foi hoje à tarde abatido ilegalmente na vila medieval de Monsaraz, no Alentejo, no final de uma novilhada popular, cumprindo uma tradição reivindicada pela população local.

 

A estocada final foi dada pelas 20:35, depois de o touro ter sido laçado e preso ao muro da arena improvisada, na antiga praça de armas do castelo de Monsaraz, histórica povoação localizada nas margens da albufeira de Alqueva, no concelho de Reguengos de Monsaraz.

Sem a presença visível, no recinto, de qualquer elemento das autoridades, o abate do touro também não foi presenciado pela assistência que quase enchia o castelo (cerca de 1000 pessoas), por o animal ter sido coberto com um pano escuro.

Apesar da proibição do espetáculo, por não lhe ter sido reconhecido o caráter de exceção previsto na legislação, a população de Monsaraz voltou a cumprir a promessa de manter a tradição que reivindica de matar um touro no final da novilhada.

O touro foi abatido apesar de a autorização excecional para o espetáculo com touro de morte ter sido recusada, pelo 11.º ano consecutivo, pela Inspecção Geral das Actividades Culturais (IGAC), alegando que "não reunia as condições previstas", disse à agência Lusa fonte do organismo.

A novilhada com touro de morte, o último lidado, depois de três vacas e dois novilhos, faz parte do programa das festas em honra de Nosso Senhor Jesus dos Passos, que se realizam anualmente no segundo fim de semana de setembro.

Segundo a tradição reivindicada pela população e autarquias locais, o espetáculo taurino - de caráter amador e popular e que termina com a morte ritualizada do touro no final da lide - realiza-se desde 1877, de forma ininterrupta.

A legislação, em vigor desde 2002, estabelece que a realização de "qualquer espetáculo com touros de morte é excecionalmente autorizada no caso em que sejam de atender tradições locais que se tenham mantido, de forma ininterrupta, pelo menos, nos 50 anos anteriores à entrada em vigor do diploma, como expressão de cultura popular, nos dias em que o evento histórico se realize".

O pedido dos promotores da novilhada (Misericórdia de Monsaraz e comissão de festas) foi "feito antecipadamente e a recusa da IGAC surgiu no início desta semana", indicou à Lusa fonte da organização dos festejos.

Os autarcas alegam que "a morte do touro constitui um símbolo da cultura da população de Monsaraz” e que se trata de uma “tradição que se mantém ininterrupta há mais de um século", pedindo o mesmo regime de exceção concedido a Barrancos em 2002.

Os processos em curso nos tribunais surgiram depois de os promotores da vacada terem recorrido, nos últimos anos, a providências cautelares e ações administrativas para tentarem a legalização do espetáculo com touro de morte.


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