Sulcos de carros de bois nos Açores vão ter plano de proteção em 2017


 

Lusa/AO Online   Regional   7 de Dez de 2016, 15:30

Os sulcos resultantes da passagem de carros de bois nos Açores, denominados relheiras, vão ter um plano de proteção em 2017, de acordo com uma proposta da comissão que avaliou este património, foi hoje anunciado.

 

“[As relheiras] estão em terrenos agrícolas, muitas vezes pouco acessíveis e, portanto, o plano de proteção significa também a sua valorização, consulta, visitação, visibilidade e enquadramento”, afirmou, em declarações à agência Lusa, o diretor regional da Cultura, Nuno Lopes.

As relheiras são sulcos paralelos deixados na pedra, no caso dos Açores, provocados pela passagem continuada de carros puxados por bois, que durante séculos foram o principal meio de transporte de pessoas e de carga no arquipélago.

As rodas dos carros de bois, normalmente envoltas em aros de ferro, deixaram marcas mais ou menos fundas, consoante a carga que transportavam, causadas pela quantidade de vezes que passaram no mesmo local, seguindo sempre o mesmo trajeto.

De acordo com o relatório “Inventariação e Proteção das Relheiras dos Açores”, ao qual a agência Lusa teve acesso, estão identificadas 102 relheiras em oito das nove ilhas da região, com exceção do Corvo, a ilha mais pequena.

São Miguel, a maior ilha do arquipélago, tem contabilizado um quilómetro de relheiras, divididos em dez troços; já o Pico será a ilha com maior extensão deste património, que, aliás, foi tido em conta aquando da aprovação da Paisagem Protegida da Cultura da Vinha como Património Mundial, em 2004.

Nuno Lopes considerou que “as relheiras não existem por si só”, pelo que está em curso um trabalho de contextualização e explicação histórica da forma como este património contribuiu para o desenvolvimento da economia agrária nas ilhas e as relações entre as pessoas.

“[Em 2017] vamos trabalhar em várias frentes”, assegurou o diretor regional, acrescentando que neste trabalho estão envolvidas as direções do Ambiente e do Turismo, assim como a Universidade dos Açores, entre outras entidades.

A Comissão de Avaliação do Potencial Turístico das Relheiras, que elaborou o relatório, adianta que, após conclusão do plano de proteção, o documento passará a uma “fase de discussão pública para envolver e sensibilizar a opinião pública”, dado que “as relheiras estão, na generalidade, em locais de pouca acessibilidade, pelo que será necessário obter a anuência dos proprietários dos terrenos e dos agricultores que lidam com este património quotidianamente”.

A mesma entidade propõe a criação de uma página na Internet, a integrar o portal do Governo Regional dos Açores, com informação sobre as relheiras, e onde os conteúdos possam ser acrescentados por utilizadores externos, mediante aprovação.

“Será necessário proceder a investigação científica, nas áreas das ciências ambientais e do património, como no âmbito da história oral, para se poder avançar no conhecimento sobre as antigas vias terrestres, de modo a se poder compreender, de forma integrada, o significado”, defende ainda a comissão.

A proposta de inventariação das relheiras nos Açores partiu do grupo parlamentar do CDS-PP na Assembleia Legislativa regional.

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