Soares escreve a Passos e avisa: "ou muda de políticas ou apresenta a demissão"

Soares escreve a Passos e avisa: "ou muda de políticas ou apresenta a demissão"

 

Lusa/AO online   Nacional   29 de Nov de 2012, 10:51

O ex-Presidente da República Mário Soares é o primeiro subscritor de uma carta aberta dirigida ao primeiro-ministro para apelar a uma mudança urgente de políticas, sob pena de ser forçado a apresentar a demissão.

Entre os signatários desta carta, cujo teor também foi dado a conhecer ao Presidente da República, Cavaco Silva, estão dirigentes do PS e do Bloco de Esquerda (casos de Fernando Rosas e Daniel Oliveira), sindicalistas (com particular destaque para o ex-líder da CGTP-IN Carvalho da Silva), professores universitários e figuras ligadas ao meio da cultura.

Para os signatários desta carta aberta, "o crescente clamor que contra o Governo se ergue" é uma exigência para que o primeiro-ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Presidente da República, poupando assim o país e os portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências".

Na carta aberta dirigida a Pedro Passos Coelho, o grupo liderado por Mário Soares defende que, perante as políticas que têm sido adotadas pelo Governo PSD/CDS, eleitores "foram intencionalmente defraudados" e que "nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste".

"Daí também a rejeição que de norte a sul do país existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro", sustenta o grupo de subscritores do documento.

Para este conjunto de signatários, "ao embuste" em relação às promessas eleitorais "soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados".

"Perdeu-se toda e qualquer esperança", sustentam estes críticos do executivo, que acusam ainda o Governo de falhar

"O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o país para o abismo. A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade", sustenta o grupo liderado pelo ex-Presidente da República.

Entre os subscritores do documento estão Adelino Maltez (professor universitário), Alfredo Bruto da Costa (sociólogo), Alice Vieira (escritora), Siza Vieira (arquitecto), Ana Sousa Dias (jornalista), Dias da Cunha (empresário), António Arnaut (advogado), António Reis (professor universitário), Boaventura Sousa Santos (professor universitário), Carlos Trindade (sindicalista), Duarte Cordeiro (deputado do PS), Clara Ferreira Alves (jornalista), Ferro Rodrigues (ex-líder do PS e deputado), Eduardo Lourenço (professor universitário), Helena Pinto (deputada do Bloco de Esquerda), Inês de Medeiros (deputada do PS), Maria de Medeiros (realizadora e atriz), Jaime Ramos (medido e ex-deputado do PSD), Joana Amaral Dias (professora universitária) e Medeiros Ferreira (antrigo ministro dos Negócios Estrangeiros).

Assinam ainda o documento João Galamba (deputado do PS), Pedro Delgado Alves (ex-líder da JS), Mário Jorge (médico), João Torres (líder da JS), João Cutileiro (escultor), João Ferreira do Amaral (economista), Júlio Pomar (pintor), Manuel Maria Carrilho (ex-ministro da Cultura), Pedro Abrunhosa (músico), Pilar Del Rio Saramago (jornalista) e Teresa Pizarro Beleza (jurista).


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