Sismo de 1980 destruiu Angra do Heroísmo há 35 anos

Sismo de 1980 destruiu Angra do Heroísmo há 35 anos

 

Lusa/AO online   Regional   1 de Jan de 2015, 15:04

Um sismo destruiu quase por completo a cidade de Angra do Heroísmo há 35 anos, mas a população arregaçou mangas e passados três anos o seu centro histórico integrava a lista de Património Mundial da Unesco.

 

No dia 01 de janeiro de 1980, às 15:42, um sismo com intensidade de 7,2 na escala de Richter e epicentro no mar, a 35 quilómetros a sudoeste da cidade de Angra do Heroísmo, abalou as ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, nos Açores. Morreram 73 pessoas e mais de 20 mil ficaram desalojadas.

Passados 35 anos, existem casos pontuais de edifícios por recuperar no centro histórico de Angra do Heroísmo, mas a maior parte foi reerguida rapidamente, sobretudo graças às linhas de crédito com baixos juros disponibilizadas na altura.

"Os particulares tiveram um papel, a meu ver, preponderante na reconstrução de Angra. Empenharam-se, esforçaram-se, endividaram-se, mas também houve muitas linhas de crédito favoráveis e as pessoas de facto entusiasmaram-se e reconstruiram Angra rapidamente", salientou, em declarações à Lusa, João Maria Mendes, presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT).

Em 1983, a cidade ainda não estava totalmente reconstruída, mas as pessoas estavam sensibilizadas para a necessidade de respeitar a traça original das casas e a Unesco (o organismo das Nações Unidas para a educação e cultura) aceitou integrar o centro histórico de Angra do Heroísmo na sua lista de sítios classificados como Património Mundial da Humanidade.

O reconhecimento da Unesco contribuiu, segundo João Maria Mendes, para a sensibilização das pessoas, mas a mudança de postura perante o património não foi "espontânea".

Para o presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira, houve um conjunto de personalidades, ligadas ao Governo Regional e não só, que motivaram as pessoas e um programa de televisão que contribuiu para esse processo.

Na altura, a RTP/Açores era o único canal disponível na região e o programa de Jorge Forjaz, então diretor regional dos Assuntos Culturais, foi "uma das coisas que mais influenciaram esta mudança de mentalidades".

Com a classificação do centro histórico e a sua inclusão na lista da Unesco criou-se também legislação para salvaguardar o património, mas antes muito chegou a ser perdido e algum foi recuperado já prestes a ir para a lixeira.

Atualmente, ainda existem, pelo menos, três casas e duas igrejas no centro de Angra do Heroísmo em ruínas desde o sismo de 1980, mas apenas uma das propriedades pertence a privados.

"O Governo [Regional], por um lado, apoiou muito os privados e foi ótimo, por outro lado, naquilo que era seu, descurou", lamentou João Maria Mendes.

Em 1980, a autonomia tinha menos de uma década e a administração pública regional não tinha a dimensão que tem hoje, mas para o presidente do IHIT isso tornava-a "mais próxima dos acontecimentos".

"Os meios eram muito menores, mas se calhar havia uma vontade, um empenhamento, uma energia muito maiores", salientou.

A ideia de classificar o centro histórico de Angra do Heroísmo já vinha a ser pensada, antes mesmo do sismo, por Baptista de Lima, na altura presidente do Instituto Histórico da Ilha Terceira.

O terramoto acelerou o processo e João Maria Mendes admite que a planificação da reconstrução pós-sismo possa ter contribuído para a inclusão na lista da Unesco, embora o património de Angra do Heroísmo vá muito para além do edificado.

"Havia muito a ideia de que só se classificava património construído. A classificação de Angra implicou nitidamente também um conceito imaterial", frisou.

A planificação de uma cidade renascentista numa ilha no meio do atlântico pesou na classificação, mas também o facto de Angra ter sido a grande escala das rotas das Índias.

Para João Maria Mendes, a reconstrução da cidade, de acordo com regras rígidas, contribuiu não só para a valorização do património, como para a melhoria das habitações, que atualmente estão mais resistentes aos sismos.

"Esperemos que nunca aconteça, mas se porventura acontecesse o mesmo sismo que aconteceu no dia 01 de janeiro de 1980, as consequências seriam infimamente menores", frisou.

 

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.