CGTP exige postura diferente de Portugal nas negociações com os Estados Unidos

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Base das Lajes

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O coordenador da CGTP/Açores considerou que foi a "fraqueza" de Portugal nas negociações com os Estados Unidos que conduziu ao anúncio do despedimento na base das Lajes, defendendo uma mudança de postura na próxima reunião da Comissão Bilateral Permanente.
 

 

"Quando uma parte entra fragilizada num processo, torna-se mais fácil para a outra parte conseguir aquilo que quer. E tem sido isso que tem acontecido ao longo de todo este processo negocial. O Estado português tinha que ter um papel completamente diferente", frisou Vítor Silva.

O dirigente sindical falava numa conferência de imprensa conjunta do Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores (SABCES), que representa trabalhadores da base das Lajes, e da CGTP/Açores, em Angra do Heroísmo.

Os Estados Unidos da América (EUA) anunciaram uma redução gradual dos trabalhadores portugueses da base das Lajes de 900 para 400 pessoas até ao outono e os civis e militares norte-americanos vão passar de 650 para 165.

Segundo Vítor Silva, o Estado português ainda está a tempo de garantir que se mantenha o atual número de trabalhadores portugueses na base das Lajes como contrapartida pela utilização das infraestruturas, se mudar de postura na próxima reunião da Comissão Bilateral Permanente, em fevereiro.

"Sempre que Portugal pôs em cima da mesa como prioridade na agenda os interesses dos trabalhadores, os resultados foram sempre alcançados", frisou.

Caso o Estado português não consiga reverter a decisão anunciada pelos Estados Unidos, o sindicalista prometeu "fazer muita força para perceber o que é que se obteve em troca".

O dirigente sindical considerou que o desfecho resultou da falta de preparação do Estado português, que cometeu o erro de não avaliar a importância da base das Lajes, mas podia ter-se baseado nos estudos norte-americanos.

"Nós pura e simplesmente respondemos às contrapropostas dos americanos, não apresentamos as nossas propostas, não temos nada preparado para tentar fazer alguma resistência àquilo que nos é oferecido e desta forma é claro que os resultados terão que ser desastrosos", acusou.

Vítor Silva lembrou que, por exemplo, bases de Inglaterra e Alemanha, cujos processos de reestruturação representam um valor muito mais elevado do que os 35 milhões de dólares anuais que os Estados Unidos estimam poupar com a base das Lajes, terão até 2020 para concretizar essas mudanças, quando nas Lajes esse período não chega a um ano.

Segundo o dirigente sindical, a confirmar-se o anúncio dos EUA, haverá o "maior despedimento coletivo nos Açores", o que juntando aos postos de trabalho indiretos poderá levar à perda de emprego de 1500 pessoas, sem contar com o impacto já sentido com a redução do tempo das comissões dos militares e com o impedimento de deslocação das famílias.

"A única indicação do embaixador dos EUA em Portugal foi a de que irão ser pagas as indemnizações aos trabalhadores. As tão proclamadas promessas dos EUA em colaborar com Portugal de forma a mitigar o impacto económico e social não passaram de promessas vãs que se destinaram a ludibriar a opinião pública", salientou.

Para Vítor Silva, apesar da "tragédia social" que a decisão dos Estados Unidos poderá provocar na ilha Terceira, a redução da base das Lajes não tem consequências apenas para os Açores.

"Isto é uma causa que não diz só respeito aos trabalhadores da base, nem ao concelho da Praia da Vitória, nem à ilha Terceira, nem à Região. Isto é uma causa fundamental a nível da própria importância geoestratégica do país. É isso que é preciso perceber", sublinhou.