Sindicato de professores critica aplicação "desarticulada" de programa nos Açores

Sindicato de professores critica aplicação "desarticulada" de programa nos Açores

 

LUSA/AO online   Regional   14 de Set de 2015, 13:29

O Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA) criticou hoje a forma "precipitada e desarticulada" de implementação do Plano Integrado do Sucesso Escolar "ProSucesso", que hoje arrancou, alegando que as escolas já aplicam muitas das medidas

"Somos os primeiros a estar ao lado deste programa, mas não basta vivermos de intenções”, afirmou o presidente do SDPA, José Pedro Gaspar, frisando que "há um conjunto de reflexões" necessárias no que se refere à aplicação do “ProSucesso”, que se inicia no ano letivo que hoje arranca nos Açores.

Numa conferência de imprensa em Ponta Delgada, o presidente do SDPA deu como exemplo a questão das obras e textos "considerados de leitura obrigatória pelos alunos, para promover a literacia da leitura, um dos eixos de ação prioritária do ‘ProSucesso’".

"O novo programa e metas curriculares de Português do ensino básico define um conjunto de obras e textos considerados de leitura obrigatória por parte dos alunos […]. Todavia, a generalidade das escolas da região não possuem estas obras ou não as têm em número suficiente”, referiu, assinalando ainda que um “elevado número de alunos” tem apoio da ação social, pelo que "muitas famílias não terão possibilidade de adquirir os livros, comprometendo assim aquele eixo de ação prioritária".

Além disso, "parte considerável dos manuais escolares de que os alunos são portadores – principalmente aqueles concedidos pelo Serviço de Ação Social Escolar (SASE) - não estão de acordo com os novos programas e metas curriculares das diversas disciplinas, nos diferentes anos do ensino básico, com particular pertinência para as disciplinas em que os alunos realizam provas finais de âmbito nacional (Português e Matemática), dificultando o trabalho dos professores em sala de aula na lecionação de muitos conteúdos".

José Gaspar disse ainda que houve um “parco envolvimento” dos professores e das escolas na conceção e estruturação do “ProSucesso” e acrescentou que muitos estabelecimentos têm revelado dificuldade na conciliação dos horários dos alunos e dos docentes, decorrente da lecionação de aulas em regime de par pedagógico.

"O que, em muitas situações, está a implicar que os professores tenham ficado com o seu horário letivo diário excessivamente descontinuado e longo", acrescentou José Gaspar, revelando ainda que a maioria dos docentes que vão estar diretamente implicados no plano só agora está a tomar conhecimento do trabalho que lhes vai ser solicitado.

No entender do SDPA, "muito do que ser quer fazer no ‘ProSucesso’ as escolas já o fazem" e o processo "é imposto de cima para baixo": "Não olhou com a devida preponderância para uma maior responsabilização dos encarregados de educação", apontou.

“A ideia com que se fica, mais uma vez, é a da persecução, por parte da tutela educativa, de uma estratégia em certa medida precipitada e desarticulada, na pressa de se mostrar que se está a fazer alguma coisa – para que se não diga o contrário – que poderá acabar por comprometer as melhores intenções”, referiu o responsável.

Para o SDPA, o sucesso da implementação do “ProSucesso” teria “tudo a ganhar com a estabilização do corpo docente”, que “deve passar pela abertura de um número superior de vagas em lugar do quadro de escola, diminuindo a precariedade laboral dos cerca de 800 docentes contratados a termo”.

O alargamento da escolaridade obrigatória com a frequência da educação para a infância a partir dos três anos é outra das medidas preconizadas pelo sindicato, que voltou a alertar para a “discriminação” dos docentes contratados a termo resolutivo, pelo facto de “terem obrigatoriamente que se apresentar presencialmente na escola onde obtêm colocação, principalmente as docentes grávidas”.

José Gaspar chamou ainda a atenção para a necessidade de um plano de conservação e manutenção dos edifícios escolares, assegurando que existem escolas com cinco anos com problemas graves de degradação.


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