Separatistas pró-russos acusam Kiev de abater avião comercial malaio


 

Lusa/AO online   Internacional   17 de Jul de 2014, 17:51

Os separatistas ucranianos pró-russos acusaram esta quinta-feira a aviação da Ucrânia pelo derrube no leste do território do avião das linhas aéreas da Malásia com 295 pessoas a bordo, enquanto Paris solicitava às companhias aéreas para evitarem o espaço aéreo do país.

“Testemunhas viram o Boeing 777 atacado por um caça ucraniano. De seguida, o avião partiu-se em dois e caiu sobre o território da ‘República de Lugansk’ [autoproclamada pelos separatistas no lesta da Ucrânia]. Após o ataque, o avião ucraniano foi abatido e também caiu em território da ‘República de Lugansk’”, indicou a página oficial na Internet desta região separatista.

Em paralelo, e por intermédio do secretário de Estado dos Transportes, Paris já pediu às companhias aéreas francesas para evitarem o espaço aéreo ucraniano.

“Foram dadas instruções à Direção Geral de Aviação Civil para serem tomadas todas as medidas de precaução necessárias. Pede-se às companhias francesas que evitem o espaço aéreo ucraniano enquanto não forem esclarecidos os motivos desta catástrofe”.

As linhas aéreas malaias confirmaram que o aparelho que hoje desapareceu dos radares quando sobrevoava o leste da Ucrânia se despenhou, mas sem indicar as razões.

Antes, o Presidente ucraniano Petro Poroshenko não tinha excluído a hipótese de o avião das linhas aéreas da Malásia que hoje se despenhou no leste da Ucrânia tenha sido “abatido”, numa alusão velada à Rússia e aos rebeldes federalistas do leste do país.

“É o terceiro caso trágico nos últimos dias, após os aviões Na-26 e Su-25 das forças armadas ucranianas, abatidos a partir de território da Rússia”, declarou Pososhenko num comunicado da Presidência.

“Não excluímos que este avião [malaio] possa ter sido abatido e sublinhamos que as forças armadas ucranianas não efetuaram disparos suscetíveis de atingir alvos nos ares”, acrescenta, antes de apresentar as condolências às famílias das vítimas.

Previamente, o embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitaly Tchourkine, já tinha rejeitado as acusações de Kiev, enquanto um responsável do Ministério russo da Defesa considerava “absurdas todas as acusações precedentes formuladas por Kiev contra a Rússia”.

As linhas aéreas malaias já confirmaram que o aparelho que se despenhou, mas sem indicar as razões, segundo um comunicado do conselho de administração da empresa citado pela AFP.

Numa primeira reação, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, manifestou-se “profundamente chocado por esta notícia dramática”, ao ser informado da queda do avião, proveniente de Amesterdão e com destino à capital da Malásia.

A notícia da queda do aparelho foi já abordada entre o presidente russo Vladimir Putin e o chefe de Estado norte-americano, Barack Obama, informaram a Casa Branca e o Kremlin.

"O Presidente russo informou o Presidente dos Estados Unidos de informações de controladores aéreos que tinham chegado momentos antes da conversação telefónica e que indicavam que o avião se tinha despenhado na Ucrânia", disse o Kremlin através de comunicado.

O aparelho, um Boeing-777 da Malaysia Airlines, que fazia a ligação entre Amesterdão e Kuala Lumpur, desapareceu dos radares da Ucrânia a uma altitude de 10.000 metros.

O aparelho perdeu a comunicação com terra na região oriental de Donetsk, perto da cidade de Shaktarsk, e palco de combates entre forças governamentais ucranianas e rebeldes federalistas pró-russos.



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