São Jorge tem primeiro furo de captação de água subterrânea para agricultura


 

Lusa/AO Online   Regional   21 de Abr de 2015, 16:30

A ilha de São Jorge, nos Açores, conta a partir de hoje com o primeiro furo de captação de água subterrânea com vista ao abastecimento de explorações agrícolas.

A ilha de São Jorge tem poucas nascentes de água superficiais e os caudais que existem são muito inconstantes, havendo dificuldades no abastecimento de água.

O furo hoje inaugurado, na Ribeira do Nabo, concelho das Velas, tem uma profundidade de mais de 260 metros e capta água abaixo do nível do mar, por não haver sequer lençóis de água intermédios nesta zona.

Além do furo de captação de água, a nova infraestrutura conta com reservatório e um sistema de distribuição de que beneficiam 90 explorações agrícolas, numa área de 900 hectares.

O projeto, desenvolvido pelo Instituto Regional do Ordenamento Agrário (IROA), representa um investimento de cerca de 590 mil euros, 85% dos quais são fundos europeus e os restantes 15% são verbas regionais.

Até ao final de 2015, cabe ao IROA gerir esta infraestrutura, passando depois a sua exploração para a Câmara Municipal das Velas, ao abrigo de um contrato hoje assinado pelas duas partes.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, realçou na cerimónia de inauguração, que este tipo de infraestruturas e equipamentos são uma forma de "capacitar" o setor agrícola açoriano para os desafios atuais e do futuro, sublinhando aqueles que enfrenta, em particular, o setor leiteiro.

Vasco Cordeiro afirmou que, no entanto, "o aproveitamento destas melhorias, o transformar destas melhorias em efetivos ganhos de rendimento para os agricultores" e num "fortalecimento do setor" depende do "esforço, do empreendedorismo e do dinamismo de cada um", sejam produtores ou indústria transformadora do leite.

"Quando se conclui um investimento, quando há um caminho agrícola concluído, um abastecimento de água que é concluído, um abastecimento de energia elétrica [a explorações agrícolas], isso não é um ponto de chegada, isso não é a conclusão de um processo. O aproveitamento das capacidades, das potencialidades que esse tipo de investimento traz é que marca o início dessa caminhada", disse, sublinhando que o aumento da competitividade do setor resulta de uma "conjugação de vontades" entre público e privado e de cada parte "fazer bem a sua parte".

Vasco Cordeiro deu como exemplo o caso da Uniqueijo, a cooperativa de São Jorge que estava com problemas financeiros graves e que hoje tem uma situação melhor, conseguindo pagar aos produtores a sessenta dias, o que já foi reconhecido pelos produtores de leite.

"Isso não se deve só ao Governo Regional], deve-se, em primeiro lugar, aos jorgenses, aos produtores, aos dirigentes do setor cooperativo", disse Vasco Cordeiro, acrescentando que, no entanto, é "importante ter a consciência de que não está tudo resolvido".

O novo desafio, reiterou, é o da qualidade, ou seja, a valorização do produto (neste caso, o queijo de São Jorge), sobretudo porque "isso significa melhor rendimento para os agricultores e para o setor cooperativo".

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