Rede Anti-Pobreza preocupada com desconhecimento de alguns partidos sobre pobreza


 

Lusa/AO Online   Nacional   18 de Mai de 2015, 19:54

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) disse hoje ter ficado preocupado com alguma falta de sensibilidade e o desconhecimento demonstrado por alguns partidos sobre a pobreza em Portugal, admitindo ter ficado angustiado e triste.

Durante o dia de hoje decorreu, na Assembleia da República, em Lisboa, uma mesa redonda sobre “Compromisso para a definição de uma estratégia nacional de erradicação da pobreza”, que reuniu representantes de todos os partidos com assento parlamentar.

No final, em declarações à agência Lusa, o presidente da EAPN, padre Jardim Moreira, destacou a importância do evento, mas apontou que algumas das propostas dos partidos mostraram desconhecimento face à realidade nacional.

“Deixou-nos preocupados, na medida em que estávamos interessados que este encontro pudesse ter consequências práticas nos programas para as campanhas eleitorais de cada partido, mas pareceu-nos que não havia grande sensibilidade ou abertura para isso”, adiantou o padre Jardim Moreira.

De acordo com o responsável, os representantes de alguns partidos terão dito que estas matérias serão pensadas “só depois das eleições”.

“Fico preocupado porque quer dizer que o programa eleitoral não se situa nas verdadeiras necessidades da população e, particularmente, nesta franja da população, que vai já perto dos três milhões e não seja uma preocupação fundamental. Isto deixa-me alguma angústia e alguma tristeza”, admitiu Jardim Moreira.

Para o responsável, a pobreza continua a não merecer “um ponto de honra” nas políticas públicas nacionais e, ainda que a mesa redonda de hoje possa ter sido um passo positivo, principalmente ao nível da confrontação de ideias, diz que há muito trabalho que ainda falta fazer.

“Ainda estamos longe de poder encontrar uma adesão mais clara, ainda que todos se tenham manifestado preocupados com a pobreza”, disse Jardim Moreira, escusando-se a especificar as posições de cada partido.

Considerou que há “alguma insensibilidade até” por parte dos partidos, que são capazes de se preocupar com o desemprego ou o Rendimento Social de Inserção (RSI), mas não fazem a leitura das causas estruturais da pobreza.

Por outro lado, a diretora executiva da EAPN, Sandra Araújo, disse à Lusa que a luta contra a pobreza reuniu “algum consenso” entre as forças políticas, mas que as opiniões se dividiram quanto ao modo como se olha para a pobreza, para as suas causas ou sobre a forma de intervir.

“É preciso continuar a aprofundar o conceito de pobreza e há necessidade de avaliação das políticas”, apontou Sandra Araújo.

Segundo a responsável, uma matéria que mereceu consenso teve a ver com as crianças e os jovens e com a necessidade de serem uma prioridade política.

“Foram muito discutidas as questões do modelo de desenvolvimento e uma das questões apontadas nas conclusões é que, independentemente do modelo de desenvolvimento que tivermos, o objetivo da erradicação da pobreza tem de ser um objetivo nuclear”, apontou.

De acordo com Sandra Araújo, outro ponto apontado nas conclusões, apresentadas pela economista Manuela Silva, está relacionada com a necessidade de uma melhor redistribuição do rendimento e da riqueza.

A recolha de propostas e contributos para a elaboração do compromisso vai continuar, estando programado um encontro entre associados da EAPN, no dia 02 de junho, em Lisboa.


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