PSD e PCP pedem demissão de Vítor Fraga

PSD e PCP pedem demissão de Vítor Fraga

 

Lusa/AO online   Regional   16 de Jun de 2015, 18:08

O PSD e o PCP juntaram-se ao BE e exigiram a demissão do secretário regional dos Transportes dos Açores na sequência do relatório sobre o acidente mortal no porto de São Roque do Pico conhecido este mês.

Os deputados no parlamento Cláudio Lopes, do PSD, e Aníbal Pires, do PCP, entendem que o governante "não tem condições" para se manter no cargo, depois do relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes Marítimos ter concluído que para o acidente, ocorrido a 14 de novembro de 2014, contribuiu a falta de manutenção dos cabeços de amarração.

"Todos nós nesta casa, incluindo a própria bancada do Partido Socialista (...) esperávamos que o senhor secretário assumisse as suas responsabilidades políticas e abandonasse o cargo que ocupa", insistiu Cláudio Lopes, durante uma interpelação parlamentar ao Governo dos Açores em que lembrou que um deputado do PS, Lizuarte Machado, também já defendeu publicamente a demissão de Vítor Fraga.

Também o comunista Aníbal Pires considerou que "é mesmo necessário pedir" a demissão de Vítor Fraga, já que o secretário regional "não tem quaisquer condições políticas para continuar a exercer o cargo para o qual foi mandatado" depois de ter optado por "tentar sacudir água do capote" nesta questão, revelando falta de "verticalidade".

Aníbal Pires disse que "está a tornar-se claro" que alguns dos fatores que contribuíram para o acidente "eram evitáveis" e condenou a forma como foram "levianamente ignorados" os "avisos" que surgiram, quando rebentaram cabeços de amarração também nos portos da Madalena e da Horta.

A interpelação ao executivo foi uma iniciativa do Bloco de Esquerda, que hoje, pela voz da deputada Zuraida Soares, reiterou que o Governo Regional "tem de assumir as suas responsabilidades políticas" e voltou a criticar a recondução do presidente da empresa pública Portos dos Açores no cargo.

"O senhor engenheiro Fernando Nascimento não tem condições políticas para presidir à Portos dos Açores", referiu.

Nas respostas que deu aos deputados, o secretário regional Vítor Fraga sublinhou que o relatório em causa visa apenas precaver outros acidentes, mas nunca apurar responsabilidades políticas ou outras.

"A senhora teria toda a razão deste mundo se alguma vez ou eu o senhor engenheiro Nascimento, ou quem quer que seja, tivesse sido alertado para algum procedimento que estivesse a ser mal adotado, que havia um mau estado de conservação dos elementos dos portos, e não termos feito nada no âmbito das nossas funções para que essas situações fossem corrigidas", afirmou Vítor Fraga.

Vítor Fraga disse ainda que o "pior serviço" que um político pode prestar é "fugir" ou "virar as costas aos problemas", destacando que foram já ou vão ser adotadas medidas para reforçar e garantir a segurança nos portos do arquipélago.

O deputado Lizuarte Machado, do PS, que em dezembro defendeu a demissão de Vítor Fraga, participou também no debate para dizer que, neste momento, entende que é preciso aguardar pelos resultados da investigação judicial em curso e dos trabalhos da comissão parlamentar de inquérito que foi entretanto constituída para assumir posições sobre este caso ou retirar conclusões.

"Revejo-me integralmente naquilo que disse, só que neste momento, entendo que estando no ponto em que está a investigação, devemos levar este assunto até ao fim, com total isenção, e apurando a verdade, doa a quem doer", afirmou o deputado socialista que, por outro lado, fez no plenário uma análise do relatório, considerando-o "mal fundamentado", com "falhas" e até "erros primários".

Esta intervenção levou Zuraida Soares a sublinhar que o relatório segue as regras e metodologias internacionais e europeias para elaboração deste tipo de documento e a manifestar surpresa por só hoje alguém da bancada do PS questionar a sua idoneidade.

Já o CDS e o PPM consideraram que o Governo Regional tem de esclarecer as condições em que ocorreu o acidente, que matou o passageiro de um barco, atingido por um cabeço de amarração que rebentou do cais.

O deputado do PPM, Paulo Estêvão, voltou ainda a considerar "injustificável" a recondução no cargo do presidente da Portos dos Açores.

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