Primeiro local em São Miguel que acolheu imagem do Santo Cristo necessita de obras

Primeiro local em São Miguel que acolheu imagem do Santo Cristo necessita de obras

 

Lusa/AO Online   Regional   26 de Abr de 2016, 07:28

A capela da Caloura, o primeiro local na ilha de São Miguel, nos Açores, onde esteve a imagem do Santo Cristo dos Milagres, necessita de obras de restauro, mas o proprietário alega incapacidade financeira para avançar sozinho.

 

“Neste momento precisa de um restauro enorme. Infelizmente, ainda [este mês] fez um sismo e um altar lateral caiu todo. As tábuas do teto estão a despregar-se a pouco e pouco”, afirmou, em declarações à agência Lusa, Miguel Jácome Correia, acrescentando que está em conversações com o Governo Regional para receber um subsídio.

O imóvel, localizado à beira-mar na Caloura, concelho da Lagoa e que originalmente acolheu a imagem do ‘Ecce Homo’ oferecida a duas religiosas pelo papa Paulo III, foi classificado como imóvel de interesse público pelo Governo dos Açores em 2008.

Sem avançar uma estimativa de custos para realizar o restauro da capela, o proprietário apenas adiantou que será necessário “muito dinheiro”, manifestando confiança de que o executivo açoriano o irá ajudar a “salvar” este património histórico.

Segundo Miguel Jácome Correia, a capela tem azulejos, talhas e imagens únicas dos séculos XVI, XVII e XVIII de “valor incalculável”.

Porém, após ter suportado sozinho o restauro do convento, transformado em habitação, já não consegue arcar com as obras necessárias para a capela.

O imóvel, que compreende a capela e o convento de Nossa Senhora da Conceição, está na mesma família há já cinco gerações e ao longo dos anos tem sido alvo de várias obras de conservação por parte dos proprietários.

“Em 1854 este convento é posto à venda em hasta pública e o meu tetravô foi a Lisboa e rematou o imóvel no Terreiro do Paço. Desde essa altura que ficou sempre em família”, revelou Miguel Jácome Correia, explicando que a venda se deveu primeiro à expulsão das ordens religiosas de Portugal e depois à necessidade de o Estado português fazer dinheiro, alienando património.

Miguel Jácome Correia informou que o convento tinha uma primitiva capela, datada de 1522. A atual capela foi construída entre 1632 e 1637, local onde, segundo documentação histórica, a imagem do Santo Cristo dos Milagres permaneceu “um período muito curto”, sendo depois levada pelas freiras para o Convento da Esperança, em Ponta Delgada, onde está até hoje e onde se iniciou a festa religiosa com o mesmo nome.

“As freiras que aqui viveram eram muito atacadas por piratas. Quando decidiram sair, umas foram para o Convento de Santo André, em Vila Franca do Campo, e outras para o Convento da Esperança, em Ponta Delgada, sendo estas últimas que levaram consigo a imagem do Santo Cristo”, adiantou, acrescentando que depois das religiosas o convento chegou ainda a ser ocupado por frades e depois ficou votado ao abandono, antes de ser vendido à sua família.

O proprietário referiu que a capela costumava ser disponibilizada para casamentos e batizados e aberta para visitas pontuais.

“Muitas vezes estou em casa e há estrangeiros que batem à porta a perguntar se isso não se pode ver. Sempre que tenho disponibilidade abro a porta e mostro”, garantiu Miguel Jácome Correia, manifestando pesar por não poder continuar a fazê-lo, dado o estado de degradação do interior da capela.

Este ano as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, com mais de três séculos de existência, decorrem até 05 de maio em Ponta Delgada, incluindo as tradicionais procissões de sábado e domingo, em que a imagem do ‘Ecce Homo’ percorre as ruas do centro da cidade durante várias horas, acompanhada por milhares de fiéis.

 

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