Planos de emergência fazem toda a diferença em regiões como os Açores

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Derrocadas Pedreira do Nordeste, mau tempo

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O presidente da Proteção Civil dos Açores afirma que os planos municipais de emergência fazem toda a diferença na região, muito ativa do ponto de vista sísmico e vulcânico e vulnerável a fenómenos climatéricos adversos.
 

 

“Ter um plano destes faz toda a diferença em caso de catástrofe”, afirmou à agência Lusa José Dias, responsável pelo Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores desde dezembro de 2012.

Destacando a “extrema importância” destes documentos, José Dias apontou “a definição de competências nas áreas de atuação, a forma de articulação entre as diferentes entidades presentes em operações de Proteção Civil” que são “fundamentais numa real organização para uma resposta pronta e eficaz”.

“Em particular para a Região Autónoma dos Açores, com as suas características, as suas singularidades, os planos municipais de emergência de proteção civil são uma mais-valia na sua preparação, organização e realização de uma operação eficaz de resposta a acidentes graves ou catástrofes”, declarou.

Em 1998, um sismo com magnitude de 5,9 na escala de Richter abalou o Faial, provocando oito mortos e destruindo mais de 70% do parque habitacional da ilha, além de ter danificado ainda 20% das habitações do vizinho Pico.

Um ano antes, na Ribeira Quente, ilha de São Miguel, a chuva intensa provocou derrocadas e 29 pessoas morreram soterradas.

Mais recentemente, em 2013, no Faial da Terra, também São Miguel, três pessoas morreram quando ficaram soterradas devido a um deslizamento de terras.

Segundo a Proteção Civil regional, nos Açores por três vezes foram ativados planos municipais de emergência.

A primeira sucedeu em Vila do Porto, único município da ilha de Santa Maria, aquando da passagem do furacão ‘Gordon’, em agosto de 2012.

Em 2015, o plano municipal foi ativado na sequência do mau tempo no Nordeste, ilha de São Miguel, que provocou danos materiais em cerca de duas dezenas de habitações, mas também em vias municipais e regionais.

Este ano, o município da Lagoa, também na ilha de São Miguel, ativou o plano municipal devido ao furacão ‘Alex’, o primeiro fenómeno meteorológico desta natureza a acontecer no mês de janeiro em quase 80 anos.

O responsável da Proteção Civil dos Açores salientou que a resolução publicada em maio de 2015 sobre a elaboração de planos de emergência permitiu “simplificar” estes documentos “na sua forma e no seu conteúdo”.

“Entre outras alterações, por exemplo, a nova diretiva traz a necessidade de a revisão dos planos de emergência de proteção civil ser acompanhada de medidas a implementar para a prevenção e mitigação dos riscos identificados, o que quer dizer que isso é uma inovação”, observou.

O responsável referiu, ainda, que outra inovação passa por uma “maior operacionalização destes documentos”.

“Dá-se menos importância à componente burocrática, mas muito mais importância à componente operacional ou, por outras palavras, muito pouca preocupação com o volume do plano, mas sim com o seu conteúdo”, assinalou, realçando que “um plano municipal de emergência tem de ser de fácil leitura, de fácil compreensão e de fácil operacionalização”.