Perfil do aluno deve incluir cultura científica e matemática

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O Conselho Nacional de Educação (CNE) defende que cultura científica e a matemática devem ser incluídas no documento final que irá definir o perfil do aluno do século XXI.
 

Esta é uma das recomendações do CNE num projeto de parecer solicitado pelo Ministério da Educação sobre o documento ”Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória”, elaborado pelo grupo de trabalho liderado por Guilherme d’ Oliveira Martins.

O relatório do grupo de trabalho, destinado a determinar as competências que os alunos devem ter no final da escolaridade obrigatória, foi apresentado em 11 de fevereiro e encontra-se em discussão pública.

Na ocasião, o secretário de Estado da Educação, João Costa, anunciou que no próximo ano letivo, os alunos dos 1.º, 5.º, 7.º e 10.º anos deveriam estar a trabalhar já com flexibilização de currículos, o que permitiria mais autonomia de decisão às escolas, cruzamento de disciplinas e mais trabalho experimental.

A 14 de março, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, afirmou que qualquer mudança que se faça no ensino, incluindo os currículos, será feita “de forma gradual”, rejeitando estar a revogar qualquer estrutura curricular ou a proceder a alterações abruptas.

No projeto de parecer do CNE elaborado pelos conselheiros Álvaro Santos e João Paulo Leal, e que hoje foi analisado na sessão plenária do conselho, é defendido que a investigação e pesquisa, assim como a matemática e as ciências (como competências transversais e não como disciplinas) surgem com referências esparsas.

A recomendação do CNE aponta para inclusão destas áreas enquanto competências chave.

Os conselheiros defendem também que seja referido no documento o papel relevante que outros parceiros sociais assumem, em conjunto com a escola.

“Ao longo de todo o documento em análise todo o enfoque é colocado na escola não sendo referidos outros parceiros igualmente importantes para a formação dos alunos como pessoas autónomas e responsáveis e cidadãos ativos, como por exemplo a família”, lê-se no projeto de parecer.

Para os conselheiros do CNE, a inclusão de outros atores (família, parceiros sociais) na própria gestão da escola tem sido o caminho que se tem feito nos tempos mais recentes e a não referência destes intervenientes ao longo do documento surge como uma fraqueza.

Por outro lado, os conselheiros recomendam também que sejam clarificados os conceitos usados ao longo do documento de forma a reduzir ambiguidades e estabelecer um corpo de análise coerentes, nomeadamente no que respeita aos termos competência, aptidão e conhecimento.

Nas recomendações é ainda sugerido que seja dada importância aos valores no âmbito das competências chave, como fundamento para a construção de linhas orientadoras, e que seja dado relevo ao conhecimento como uma finalidade em si, a par do destaque dados às competências.