PCP/Açores defende apoios à exportação de gado vivo

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João Paulo Corvelo PCP

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O deputado do PCP à Assembleia Legislativa dos Açores, João Paulo Corvelo, defendeu que o Governo volte a subsidiar a exportação de gado vivo nos Açores, alegando que "há falta de condições" para o abate nas ilhas mais pequenas.
 

O parlamentar comunista, que falava no plenário do Parlamento dos Açores, reunido na Horta, no âmbito de uma interpelação ao Governo Regional sobre o setor da carne no arquipélago, sugeriu mesmo que seja criado um "regime de exceção" para algumas ilhas.

"Visto que não há capacidade de abate na ilha das Flores para exportação nos meses de maior produção, estará o Governo disponível para voltar atrás, na medida que cortou no apoio de gado vivo das ilhas das Flores e do Corvo", questionou João Paulo Corvelo.

Segundo explicou, os produtores de carne destas ilhas acabam por ser "prejudicados" ao exportar os animais vivos, na medida em que deixaram de poder aceder aos apoios à exportação previstos no programa Competir +, que subsidiam apenas a exportação de carcaças.

O secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, não respondeu diretamente à pergunta do deputado do PCP, mas lembrou que a exportação de gado vivo foi uma opção dos próprios produtores.

"Ilhas como Santa Maria, Graciosa e Flores adotaram estratégias diferentes e exportam mais gado vivo do que aquele que é abatido" recordou o governante, lembrando que esta situação resulta, em parte, de se tratar de "animais de muita boa genética e com muita procura no mercado local e no Continente, onde são muitos valorizados em vida".

O titular da pasta da Agricultura sublinhou, no entanto, que a prioridade na região continua a ser a exportação de animais já abatidos nos matadouros locais, uma vez que as "mais-valias" do abate e da desmancha ficam no arquipélago.

Segundo explicou, os Açores registaram um aumento de cerca de 20% no número de animais abatidos, que em 2016 ultrapassou as 71 mil cabeças de gado, 90% do qual produzido nas ilhas de São Miguel, Terceira e Pico, representando um valor de venda de 40 milhões de euros.

Mas o deputado Bruno Belo, da bancada do PSD, lembra que os produtores de carne das ilhas mais pequenas "não optaram" por exportar o gado vivo, ao contrário do que alega o Governo, apenas não tiveram "outra alternativa".

"Não foi uma estratégia, não tiveram foi alternativa, e é aqui que o Governo deve fazer a sua parte. O Governo deve permitir que um agricultor das Flores, de Santa Maria, do Pico ou da Graciosa tenha oportunidade de produzir um quilo de carne ao mesmo preço que em outras ilhas", insistiu o parlamentar social-democrata.

Catarina Cabeceiras, deputada do CDS/PP, considera que o Governo Regional está a entrar em "contradição", porque apesar de dar prioridade ao abate de animais, apoia a exportação de gado vivo, por exemplo, para Marrocos.

"O Governo Regional acaba com o apoio ao transporte de gado vivo para e exportação, uma vez que a região se quer afirmar no setor como exportadora de carne, mas estranhamente, uma das primeiras medidas anunciadas por este novo executivo é exatamente a exportação de animais vivos para Marrocos", recordou a deputada centrista.

Paulo Estevão, deputado do PPM, recordou que, em 2015, o Governo Regional anunciou a realização de um estudo para as ilhas do Corvo, Graciosa e Flores, alegadamente com o intuito de criar uma "estratégica específica" para essas ilhas, com a qual disse concordar.

O secretário regional da Agricultura disse que esse estudo já está concluído e que foi entregue ao Governo na semana passada, comprometendo-se a fazer chegá-lo ao Parlamento nas próximas semanas.

Apesar de reconhecer a necessidade de resolver alguns "pequenos problemas" em algumas ilhas, José San Bento, deputado da bancada do PS, lembrou que o setor da carne nos Açores está "pujante" e em crescimento.

"O setor da carne cresceu de um ano para o outro quase 20% nos Açores e esta é que é a grande conclusão deste debate, sem deixar de reconhecer que há alguns pequenos problemas que certamente serão resolvidos", sublinhou o parlamentar socialista.

Apesar disso, Paulo Mendes, deputado do Bloco de Esquerda, manifestou preocupação com o futuro do setor nos Açores, perante a "ameaça" que se antevê com a entrada em Portugal de carne proveniente do Canadá.

"Está a região preparada para competir com um gigante como o Canadá, quando o país no seu todo não está?", perguntou o parlamentar bloquista, que quis também saber se os Açores vão "recorrer a hormonas" na carne, "baixar o preço à produção" ou optar pelo recurso a rações com milho OGM (organismos geneticamente modificados).