Ordem dos Enfermeiros lamenta falta de incentivos à fixação de profissionais nos Açores

Ordem dos Enfermeiros lamenta falta de incentivos à fixação de profissionais nos Açores

 

AO/LUSA   Regional   30 de Ago de 2014, 20:56

A Ordem dos Enfermeiros lamentou hoje que o Governo dos Açores não aposte na contratação e nos incentivos à fixação de enfermeiros no Serviço Regional de Saúde, ao contrário do que acontece com outros profissionais.

Segundo o presidente da secção regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, o Governo açoriano tem manifestado "vontade" de contratar mais enfermeiros, mas isso "não se traduz numa prática", sendo poucos os concursos que abrem, sobretudo no caso dos cuidados primários.

Assim, as perspetivas dos recém-licenciados na região, que "o mercado não absorve", acabam por se limitar, neste momento, a contratação precária, através de programas como o "Estagiar L", afirmou aos jornalistas, em Ponta Delgada, à margem de uma cerimónia de vinculação à profissão de 65 enfermeiros que concluíram a licenciatura este ano.

Tiago Lopes lamentou esta situação e referiu que estes "estagiários" acabam, por vezes, a trabalhar sozinhos em unidades como lares de idosos, sendo responsáveis pela gestão dos cuidados prestados, de outros profissionais ou de 'stocks'.

Um recém-licenciado tem "capacidade" para assumir uma missão deste tipo, assegurou Tiago Lopes, dizendo que, no entanto, numa situação destas ganha menos do que qualquer enfermeiro acabado de contratar pelo Serviço Regional de Saúde.

Para Tiago Lopes, programas como o "Estagiar L" servem para "contornar dados estatísticos", nomeadamente a taxa de desemprego, e revelou que a seção regional da Ordem dos Enfermeiros pretende, até ao final do ano, concluir um levantamento de quantos profissionais estão a assegurar serviços nesta situação.

A ordem vai ainda, também até ao final do ano, e em parceira com o próprio executivo açoriano, fazer o cálculo de quantos enfermeiros faltam no Serviço Regional de Saúde, sendo o objetivo assumir um "compromisso" com a tutela para que, ao longo dos próximos três anos, a região contrate os profissionais de que efetivamente precisa.

Segundo explicou, este cálculo vai ser feito com base numa norma para o cálculo da dotação em enfermagem que a Ordem aprovou em maio.

Tiago Lopes reafirmou que a falta de enfermeiros nos cuidados primários pode agravar-se na sequência da recente decisão do Governo dos Açores de alargar a rede de cuidados integrados a alguns centros de saúde das ilhas que fazem internamentos.

Tanto Tiago Lopes como o bastonário da Ordem dos Enfermeiros, Germano Couto, também presente nesta cerimónia, ressalvaram que a situação do Serviço Regional de Saúde dos Açores não é, no entanto, tão grave como a que se verifica no Serviço Nacional de Saúde.

Segundo Tiago Lopes, ao contrário do que acontece a nível nacional, a contratação de enfermeiros nos Açores, embora "muito parca" e "inferior ao necessário", tem sido em número superior ao das reformas.


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