Onze processos judiciais na sequência do surto hemorrágico em coelhos nos Açores

Onze processos judiciais na sequência do surto hemorrágico em coelhos nos Açores

 

LUSA/AO online   Regional   1 de Set de 2015, 13:48

O secretário da Agricultura disse hoje que entraram nos tribunais dos Açores 11 processos judiciais contra desconhecidos, por suspeita de crime no surto de Doença Hemorrágica Viral (DHV), que matou milhares de coelhos em oito ilhas

"Existem alguns processos judiciais a correr. A direção regional dos Recursos Florestais e a secretaria regional da Agricultura e Ambiente naturalmente que têm toda a disponibilidade e participaram como testemunhas nesses processos”, disse Luís Neto Viveiros aos jornalistas, acrescentando que a direção regional dos Recursos Florestais também já se constituiu assistente nestes processos.

O governante açoriano falava após ter sido ouvido na Comissão Permanente de Economia do parlamento açoriano, em Ponta Delgada, sobre uma moção de censura referente ao surto do vírus DHV2 ocorrido entre o final de 2014 e o segundo semestre de 2015 em oito ilhas açorianas, com exceção do Corvo por não ter coelhos bravos.

A Graciosa foi a primeira das oito ilhas em que foi detetado o problema, tendo o Governo Regional interditada a caça na ilha a 11 de dezembro de 2014.

Luís Neto Viveiros assegurou que o Governo Regional não está em condições de comprovar se houve ou não mão criminosa neste surto, mas reconheceu que esta é uma “tese em avaliação”.

“Havendo indícios, como algumas associações de caçadores entendem, que terá havido mão criminosa na disseminação da doença e introdução da mesma nos Açores, naturalmente que a secretaria estará disponível para colaborar na identificação desta questão. Comprovando-se, os seus responsáveis devem ser devidamente punidos”, sustentou o governante.

Refutando as acusações de “negligência e desorientação” feitas ao Governo Regional e expressas na moção de censura da autoria de uma associação de caçadores da ilha de S. Miguel, Luís Neto Viveiros recordou que “foram tomadas todas as medidas que a situação aconselhava e que ocorreu nos Açores e noutras zonas do país e do mundo”.

Segundo disse o governante açoriano, além de proibir a caça mal foi comprovado o motivo da morte dos coelhos, foram emitidos um conjunto de editais e sensibilizou-se a população e os agentes que mais diretamente lidam com os animais para se implementar um conjunto de boas práticas que evitassem a disseminação da doença.

Neste momento, a proibição de caça ao coelho bravo mantém-se válida apenas nas ilhas das Flores e Santa Maria, porque segundo o governante o surto hemorrágico “foi mais forte e fez com que as densidades da espécie sofressem uma redução substancial”, prevendo-se que a caça só deva voltar a ser permitida nestas duas ilhas em 2016.

O primeiro surto de Doença Hemorrágica Viral ocorreu nos Açores em 1989.


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