O que já se sabe e o que falta saber sobre o incêndio em Pedrógão Grande

O que já se sabe e o que falta saber sobre o incêndio em Pedrógão Grande

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   28 de Jun de 2017, 12:00

O incêndio que começou em Pedrógão Grande, Leiria, e durante uma semana atingiu vários concelhos na região centro, fez 64 mortos e mais de 250 feridos.

 

A área ardida nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere, Penela e Góis foi, segundo números provisórios, um recorde - mais de 53 mil hectares.

As imagens e as notícias dos incêndios correram mundo.

 

+++ Número de mortos e feridos +++

O número de vítimas foi o mais elevado dos últimos anos: 64 mortos e mais de 250 feridos. Entre os 64 mortos, um deles era bombeiro, da corporação de Castanheira de Pera. Os restantes eram habitantes da região e alguns visitantes. Só na estrada 236 morreram, 47 pessoas, que passavam de carro quando foram atingidos pelas chamas.

Há ainda mais de 250 feridos, entre eles quatro bombeiros, de Castanheira de Pera, com prognóstico reservado.

 

+++ Bombeiros e meios de combate às chamas +++

Foram milhares os bombeiros de todo o país, de Norte a Sul, que, ao longo da semana passada, combateram as chamas em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Alvaiázere, Penela, Góis e Pampilhosa da Serra. Chegaram a ser cerca de 3.000 num só dia, apoiados por helicópteros e aviões, enviados por França, Espanha e Marrocos.

 

+++ As causas dos incêndios +++

As causas concretas não foram ainda apuradas. No domingo, horas depois do início do incêndio, a Polícia Judiciária chega a admitir que trovoadas secas estiveram na origem dos incêndios, mas as dúvidas permanecem.

Estão a decorrer várias investigações, incluindo do Ministério Público, para se apurarem as causas do fogo.

 

+++ Prejuízos +++

Só em Pedrógão Grande havia, até segunda-feira, mais de 200 habitações totalmente destruídas pelo incêndio, segundo o presidente da câmara, Valdemar Alves. O município de Pedrógão estimava a perda de pelo menos 200 postos de trabalho.

Há ainda um número indeterminado de postos de trabalho perdidos ou em risco nos concelhos afetados pelos fogos.

No terreno, e desde segunda-feira, há equipas que vão fazer, até ao fim do dia de hoje, o levantamento dos prejuízos.

 

+++ Área ardida: 53 mil hectares +++

Os cinco grandes incêndios na região Centro do país consumiram cerca de 53 mil hectares, segundo dados provisórios divulgados à Lusa pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a 23 de junho.

 

+++ SIRESP e a falhas de comunicações +++

O SIRESP, o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, é um dos “dossiers” mais delicados após a extinção dos incêndios. Houve ou não falhas de comunicação que dificultaram as operações de socorro nos primeiros dias de combate às chamas?

Se inicialmente vários responsáveis da Proteção Civil relativizaram os problemas, nos últimos dias as informações multiplicaram-se e o problema avolumou-se.

O primeiro-ministro pediu esclarecimentos e a Autoridade Nacional de Proteção Civil fez um relatório em que assume falhas na rede SIRESP, de sábado a terça-feira, mas alega que foram supridas por "comunicações de redundância".

Um relatório da Autoridade Nacional de Proteção Civil dos primeiros dias do combate às chamas descreve graves problemas de comunicações e dificuldades na assistência a pedidos de socorro.

A entidade operadora do SIRESP alegou que “não houve interrupções no funcionamento da rede” do sistema de comunicações durante o incêndio, mas admitiu que se registaram “situações de saturação”.

 

+++ A estrada nacional 236 +++

Na estrada nacional 236, junto a Pedrógão Grande, morreram, na tarde de sábado, 47 pessoas que seguiam em automóveis, surpreendidas pelo fogo.

Uma das interrogações que se coloca é por que motivo as autoridades, a GNR, não fecharam mais cedo a “estrada da morte”, como já ficou conhecida.

Numa entrevista à TVI, três dias depois de começarem os incêndios, em 20 de junho, o primeiro-ministro reconheceu que nenhuma força deu a ordem para cortar a circulação naquela via, depois de receber uma resposta da parte da GNR.

Para António Costa, a resposta da GNR “corresponde à descrição do dramatismo e da rapidez com que tudo aconteceu naqueles 400 metros daquela estrada”.

 

 

 

+++ Responsabilidades políticas e demissões +++

Na oposição, nenhum partido pediu diretamente a demissão da ministra da Administração Interna, mas PSD e CDS têm vindo a apontar possíveis falhas na coordenação do combate aos incêndios.

Logo no dia seguinte ao início do incêndio, a pergunta sobre uma eventual demissão foi colocada à ministra. Constança Urbano de Sousa recusou esse cenário e foi o que repetiu numa entrevista à RTP um dia depois, em 19 de junho: “Quando estamos num momento de ação não é um momento de demissão. Este é um momento de ação.”

António Costa, o primeiro-ministro, afirmou, pelo menos três vezes na última semana, a sua confiança em Constança Urbano de Sousa. A mais recente, foi ao semanário Expresso, a 24 de junho: “Seria mais cómodo o sacrifício mediático de uma colega de Governo, de um comandante da Proteção Civil ou mesmo do graduado da GNR que regulava o tráfego no local. Cómodo, mas irresponsável. Tem um preço? Sim. Chama-se dignidade das instituições.”

O PSD tem vindo a defender que houve falhas do Estado no combate aos incêndios no centro do país. Passos Coelho afirmou, na terça-feira, que o PSD “não aparecerá a pedir a demissão” da ministra ou de outros membros do Governo, mas “não deixará de fazer a imputação de responsabilidades” de natureza política.

No CDS, a líder, Assunção Cristas, defendeu que, após o "tempo do luto", vai suceder-se o das respostas e "das responsabilidades políticas e técnicas" e também da "ação firme" em torno de "consensos estáveis e duradouros".

No topo da hierarquia do Estado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também afirmou que, passado o luto, “é tempo de, sem limites ou medos, se apurar o que, estrutural ou conjunturalmente, possa ter causado ou influenciado, quer o sucedido quer a resposta dada”.

“No plano técnico, como no institucional”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa ao Expresso.

 

+++ Pacote florestal +++

A Assembleia da República vai tentar aprovar, até ao início das férias de verão, em 19 de julho, uma série de propostas de lei do Governo e de projetos do BE sobre a reforma da floresta.

As propostas estão desde o início do ano no parlamento e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que se concluísse o trabalho e se votassem as leis antes das férias.

Na terça-feira, o primeiro-ministro recebeu informalmente os partidos com assento parlamentar sobre este “dossier”.

O Governo aprovou, em 21 de março, um pacote de medidas para a floresta, apresentado pelo primeiro-ministro como uma "tarefa gigantesca" e para o qual o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pediu um "vastíssimo consenso nacional".

O pacote do Governo inclui propostas de lei relativas à Revisão do Regime Jurídico das Ações de Arborização e de Rearborização, propõe um novo quadro de incentivos e isenções fiscais e emolumentares para o setor florestal, a criação de um Sistema de Informação Cadastral e de Banco de Terras e do Fundo de Mobilização de Terra e revisão do sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios.

O BE tem três projetos de lei - um para a criação do banco público de terras agrícolas, outro que pede a constituição de unidades de gestão florestal e um terceiro que "estabelece um regime jurídico para as ações de arborização, rearborização ou adensamento florestal".

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