Nova roda-gigante em forma de oito alarga entretenimento extrajogo em Macau

Nova roda-gigante em forma de oito alarga entretenimento extrajogo em Macau

 

Lusa / AO online   Economia   25 de Out de 2015, 10:22

Uma roda-gigante em forma de oito começará a girar na terça-feira na 'strip' de casinos de Macau, voltando holofotes para o entretenimento numa cidade que quer reduzir a sua dependência económica do jogo e dos grandes apostadores.

 

Além da roda-gigante do "Studio City", cujo projeto inicial nem sequer contemplava área de jogo, estão a crescer no Cotai (a 'strip' de Macau) um par de palácios e uma Torre Eiffel, também com oferta mais focada no lazer e menos no jogo, cujas receitas estão em queda desde há mais de um ano.

Das seis operadoras com licença de jogo em Macau, três já deixaram a sua pegada nesta parcela de aterros entre as ilhas da Taipa e de Coloane, enquanto as restantes três vão a caminho. Até ao final de 2017, todas terão um "pedaço" onde antes era mar e depois terra pouco cobiçada.

O "Studio City", que abre na terça-feira, tem uma ampla componente extrajogo, com a oferta a incluir um simulador de voo 4D dedicado ao Batman, um estúdio de gravação de programas de televisão e uma sala de espetáculos - que, em fevereiro, vai ser palco da estreia de Madonna em Macau -, para atrair mais turistas chineses que potencialmente acabarão o dia junto a uma mesa de pano verde.

Esta aposta em diferentes atrações é vista como uma forma de Macau se moldar mais ao estilo de Las Vegas, ou seja, como um destino turístico de massas, e assim reduzir o peso do "jogo VIP".

A aposta no entretenimento é, contudo, como refere um artigo recente do Financial Times, uma estratégia de "alto risco", porque tradicionalmente a componente extrajogo lidera as perdas no seio das operações dos casinos.

Esta semana, o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Lionel Leong, reiterou, contudo, que o Governo da região vai continuar a limitar o número de licenças para novas mesas de jogo e espera distribuí-las da melhor forma no mercado de massas, precisamente para incentivar as operadoras a explorar a vertente não-jogo e assim promover a almejada diversificação da economia.

Detido maioritariamente pela Melco Crown, liderada por Lawrence Ho, filho do magnata dos casinos Stanley Ho, e do milionário australiano James Packer, o "Studio City" é o segundo complexo a abrir portas este ano em Macau, depois de a Galaxy, de interesses de Hong Kong, ter inaugurado, em maio, a segunda fase do seu empreendimento no Cotai.

Apesar de as receitas dos casinos continuarem em queda, prosseguem os projetos milionários traçados em tempo de 'vacas gordas' para a 'strip'. No entanto, houve pedidos de adiamento, como sucedeu com a Sands, que solicitou a extensão do prazo para concluir o "Parisian", que inclui uma réplica da Torre Eiffel (com metade do tamanho da original) e é um dos três projetos com abertura prevista para a segunda metade de 2016.

O "Parisian" fica perto do Venetian, o maior casino do mundo integrado num 'resort' com canais e gôndolas e uma praça de S. Marcos a imitar Veneza.

Também para essa altura está prevista a abertura do MGM Cotai, cuja operadora é liderada por Pansy Ho, também filha de Stanley Ho. Antes, porém, a 'strip' deve conhecer o "Wynn Palace", a 25 de março.

A última operadora a instalar-se vai ser a Sociedade de Jogos de Macau (SJM), fundada por Stanley Ho, com abertura prevista para 2017 do "Lisboa Palace", o terceiro com a "marca Lisboa" no território, que vai ter ainda um "Palazzo Versace", fruto de uma parceria com a famosa casa de moda.

São projetos em curso numa altura em que o Executivo de Macau realiza um estudo sobre a revisão intercalar do setor do jogo, encomendado a uma instituição académica, que deve estar concluído até final do ano.

A revisão intercalar abrange oito aspetos, nomeadamente, o impacto do setor na economia e na sociedade, a relação entre a componente jogo e extrajogo e o cumprimento dos contratos por parte das operadoras, em particular, se têm assumido a responsabilidade social.

Esta revisão intercalar antecede a renovação das licenças de jogo entre 2020 e 2022.


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