Nobel da Economia critica posição dos Estados Unidos face a novo banco de investimento

Nobel da Economia critica posição dos Estados Unidos face a novo banco de investimento

 

Lusa / AO online   Economia   19 de Abr de 2015, 12:25

O Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz considera que os Estados Unidos estiveram mal ao criticar a criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas (BAII), elogiando a iniciativa liderada pelo Governo de Pequim.

 

"A oposição da América ao novo banco é inconsistente com as suas prioridades económicas assumidas na Ásia", defendeu o professor de Economia num artigo publicado esta semana no diário britânico The Guardian, no qual argumenta que "os 50 mil milhões de dólares do banco lançado pela China vão ajudar a colmatar as enormes necessidades de infraestruturas na Ásia, o que está bem para lá da capacidade das instituições financeiras atuais".

Para Stiglitz, o banco é importante porque materializa a crescente influência da China na nova ordem mundial, particularmente no capítulo económico, mas também porque consegue colmatar uma falha dos tradicionais doadores mundiais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

"Hoje em dia, o mundo sofre de insuficiente procura agregada; os mercados financeiros provaram que não são equilibrados na tarefa de reciclar as poupanças de sítios onde os rendimentos excedem o consumo, para sítios onde o investimento é necessário", escreveu o professor universitário.

No texto, defendeu ainda que "o sistema financeiro especializou-se em permitir a manipulação do mercado, a especulação, e o 'insider trading', mas falhou na sua principal tarefa: intermediar as poupanças e o investimento à escala global", por isso a criação do BAII "deve ser aplaudida", concluiu.

A criação do Banco Asiático de Investimento em Infraestruturas foi recebida com ceticismo por parte dos Estados Unidos, tendo sido visto como um desafio à ordem financeira internacional e uma espécie de concorrente do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, as tradicionais instituições de apoio financeiro ocidentais.

O BAII terá sede em Pequim e foi anunciado aí pela primeira vez em outubro, numa proposta subscrita por 21 países, entre os quais a China, Índia, Indonésia, Paquistão, Qatar e Singapura.

O BAII "é uma iniciativa aberta à participação de todos os países" e irá "promover a complementaridade e coordenação com outras instituições financeiras multinacionais como o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) e o Banco Mundial", disse então o Presidente chinês, Xi Jinping.

Em meados de março, o Reino Unido anunciou a sua adesão ao BAII e, a seguir, Alemanha, França, Itália, Espanha, Suíça e Noruega e outros países europeus fizeram o mesmo, a que se juntaram também Austrália, Brasil, Egipto, Nova Zelândia e Rússia, para além de Portugal, que integra o grupo de países fundadores do banco.

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