Níveis de chuva este ano nos Açores chegam a ser 47% inferiores aos de referência

Níveis de chuva este ano nos Açores chegam a ser 47% inferiores aos de referência

 

AO/Lusa   Regional   13 de Jun de 2015, 10:11

Os Açores registaram entre janeiro e maio valores de precipitação inferiores aos de referência, com São Miguel (-47%), Terceira (-43%) e Santa Maria (-42%) a terem as maiores quebras, revelou fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

 

“Em termos de precipitação acumulada, referente ao ano hidrológico, os valores acumulados eram, em maio, os últimos apuramentos atualizados que temos, inferiores aos valores de referência em todas as estações do Instituto Português do Mar e da Atmosfera nos Açores”, disse a meteorologista Fernanda Cardoso à agência Lusa.

A especialista do IPMA acentuou que estes valores “são especialmente baixos” em São Miguel (-47%), Terceira (-43%) e Santa Maria (-42%).

“É interessante concluir que desde outubro de 2014, praticamente, os valores foram negativos em todas as estações, com exceção para a estação da Horta, até dezembro”, destacou Fernanda Cardoso.

A partir de dezembro de 2014, quando deveria ter começado a chover, a estação da Horta, ainda de acordo com a meteorologista do IPMA, começou a registar também valores negativos.

Apesar de no mês de abril ter começado a chover mais do que os valores de referência em todas as estações do IPMA, o mesmo se verificando em maio, com exceção para o grupo ocidental (Flores e Corvo) e Faial, o volume de chuva “não deu para repor os valores”, sendo os totais acumulados negativos.

O IPMA já havia revelado em abril que o último inverno nos Açores foi o mais seco desde que há registo de dados, ou seja, desde 1948.

A 24 de abril, o secretário regional da Agricultura e Ambiente reuniu-se, para debater esta questão, com responsáveis do Instituto Regional do Ordenamento Agrário (IROA), IPMA, Universidade dos Açores, Wntidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores (ERSARA), Federação Agrícola dos Açores e Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores (AMRAA).

Ricardo Silva, presidente do IROA, também em declarações à Lusa, diz que o “período aflitivo” foi ultrapassado pela precipitação que entretanto caiu nos últimos tempos nos Açores. Houve, assim, um reabastecimento das lagoas artificiais, nomeadamente das Contendas e Caldeirão Grande, na ilha de São Miguel, bem como dos reservatórios.

“Podemos considerar que a alteração, sobretudo ao nível da precipitação, permite agora olhar para os próximos meses, nomeadamente julho e agosto, com mais tranquilidade”, afirmou o responsável pelo IROA.

Apesar disso, Ricardo Silva frisou que a situação continua a ser acompanhada “muito de perto”, havendo a possibilidade de acionar, a qualquer momento, planos de prevenção relacionados com a redução do consumo de água.

Ricardo Silva declarou que a situação é melhor, mas exige cautela, daí que se continue a trabalhar “muito de perto” com o IPMA, para acompanhar a evolução da situação meteorológica.

“Ficámos numa situação muito mais confortável, mas sempre com grande atenção porque basta ter aqui duas ou três semanas de calor para inverter a situação. Esta nunca é uma situação de total estabilidade. Dependemos muito dos humores do tempo”, referiu Ricardo Silva.


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